O Cannabis & Saúde propôs uma experiência voltada a profissionais da saúde: workshops que desejam aprofundar o uso de medicamentos à base de Cannabis na prática clínica.
A estreia teve como tema o transtorno do espectro autista (TEA) e contou com a participação da Dra. Vanessa Matalobos. Ela é pediatra, neurologista e dermatologista com 28 anos de atuação e mais de 10 anos prescrevendo medicamentos à base de Cannabis para seus pacientes.
Compartilhando a experiência
Com dados compilados de seus pacientes, Dra. Vanessa apresentou uma visão geral das áreas com melhora com o uso de canabinoides.
Os resultados incluem avanços em:
- • Sono
- • Comunicação verbal
- • Crises sensoriais
- • Agressividade
- • Seletividade alimentar
- • Interação social
- • Estereotipias
- • Epilepsia
Ela também destacou benefícios em casos de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) associado ao TEA.
“A gente observa uma melhora muito grande no foco e atenção nos casos com TDAH e da agitação psicomotora. A Cannabis também tem a tendência a diminuir essa agitação.”

Dra. Vanessa Matalobos CRM: 645540 | RQE: 58395
Além do CBD: como outros canabinoides contribuem
Um momento do workshop trouxe a discussão sobre fitocanabinoides além dos mais famosos, canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC).
A Dra. Vanessa defendeu uma visão mais ampla na hora de montar o tratamento.
Na prática clínica, ela considera:
- • THC – em casos avaliados individualmente, como ferramenta para complementar o CBD
- • THCV – para pacientes com compulsão alimentar associada outros medicamentos
- • CBG – em transtornos de aprendizagem, comportamento e epilepsia
- • CBN – para distúrbios do sono quando outras abordagens não funcionam
A escolha entre produtos com canabinoides isolados, de espectro amplo (broad spectrum) ou espectro completo (full spectrum) é feita caso a caso, levando em conta o perfil clínico do paciente.
Acompanhamento próximo: parte essencial do tratamento
Ao longo do workshop, uma ideia foi central: tratar com Cannabis exige presença.
Segundo a médica, o tratamento é dinâmico e responde à realidade de cada criança. Por isso, é importante manter contato próximo com a família para monitorar os efeitos.

Como o TEA impacta a família
A Dra. Vanessa lembrou que quando uma criança é diagnosticada com TEA, a rotina e os planos da família mudam. Nesse processo, o peso emocional pode ser enorme.
Para ela, tratar uma criança com TEA significa cuidar de todo o ambiente ao redor.
“A Cannabis não trata só o paciente com TEA, trata a casa do paciente toda. Essas famílias, muitas vezes, ficam isoladas.”
Durante o encontro, ela apresentou vídeos de pacientes acompanhados por ela ao longo dos anos. Uma delas foi a de Isa, que começou o tratamento aos 16 anos com óleo rico em CBD e, quatro anos depois, passou no vestibular para o curso de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
“São 4 anos de tratamento e hoje ela é outra pessoa. Tenho certeza que a Cannabis ajudou ela a concretizar tudo isso.”
A médica foi cuidadosa ao explicar esses resultados. Para ela, a Cannabis é uma ferramenta terapêutica que, quando bem indicada e acompanhada, pode oferecer mais bem-estar, autonomia e qualidade de vida.
O uso de medicamentos à base de Cannabis no Brasil
Este workshop inaugurou uma linha de atividades do Cannabis & Saúde voltada a trazer informação para profissionais de saúde. O formato aprofundado, com dados clínicos, discussão de formulações e relatos de casos reais, marca uma nova etapa no debate técnico-científico sobre o uso de derivados da Cannabis.
Se você ou alguém próximo deseja iniciar um tratamento com medicamentos à base de Cannabis, é fundamental buscar orientação profissional. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de canabinoides com prescrição médica.
Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com profissionais experientes nesse tipo de terapia.