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TEA e Cannabis: workshop mostrou prática clínica

TEA e Cannabis: workshop mostrou prática clínica

Dra. Vanessa Matalobos falou sobre o uso de medicamentos à base de Cannabis no tratamento do transtorno do espectro autista

Publicado em

6 de maio de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

TEA e Cannabis: workshop mostrou prática clínica

O Cannabis & Saúde propôs uma experiência voltada a profissionais da saúde: workshops que desejam aprofundar o uso de medicamentos à base de Cannabis na prática clínica.

A estreia teve como tema o transtorno do espectro autista (TEA) e contou com a participação da Dra. Vanessa Matalobos. Ela é pediatra, neurologista e dermatologista com 28 anos de atuação e mais de 10 anos prescrevendo medicamentos à base de Cannabis para seus pacientes.

Compartilhando a experiência

Com dados compilados de seus pacientes, Dra. Vanessa apresentou uma visão geral das áreas com melhora com o uso de canabinoides.

Os resultados incluem avanços em:

  • • Sono
  • • Comunicação verbal
  • • Crises sensoriais
  • • Agressividade
  • • Seletividade alimentar
  • • Interação social
  • • Estereotipias
  • • Epilepsia

Ela também destacou benefícios em casos de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) associado ao TEA.

“A gente observa uma melhora muito grande no foco e atenção nos casos com TDAH e da agitação psicomotora. A Cannabis também tem a tendência a diminuir essa agitação.”

Dra. Vanessa Matalobos CRM: 645540 | RQE: 58395

Dra. Vanessa Matalobos CRM: 645540 | RQE: 58395

Além do CBD: como outros canabinoides contribuem

Um momento do workshop trouxe a discussão sobre fitocanabinoides além dos mais famosos, canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC).

A Dra. Vanessa defendeu uma visão mais ampla na hora de montar o tratamento.

Na prática clínica, ela considera:

  • THC – em casos avaliados individualmente, como ferramenta para complementar o CBD
  • THCV – para pacientes com compulsão alimentar associada outros medicamentos
  • CBG – em transtornos de aprendizagem, comportamento e epilepsia
  • CBN – para distúrbios do sono quando outras abordagens não funcionam

A escolha entre produtos com canabinoides isolados, de espectro amplo (broad spectrum) ou espectro completo (full spectrum) é feita caso a caso, levando em conta o perfil clínico do paciente.

Acompanhamento próximo: parte essencial do tratamento

Ao longo do workshop, uma ideia foi central: tratar com Cannabis exige presença.

Segundo a médica, o tratamento é dinâmico e responde à realidade de cada criança. Por isso, é importante manter contato próximo com a família para monitorar os efeitos.

Como o TEA impacta a família

A Dra. Vanessa lembrou que quando uma criança é diagnosticada com TEA, a rotina e os planos da família mudam. Nesse processo, o peso emocional pode ser enorme.

Para ela, tratar uma criança com TEA significa cuidar de todo o ambiente ao redor.

“A Cannabis não trata só o paciente com TEA, trata a casa do paciente toda. Essas famílias, muitas vezes, ficam isoladas.”

Durante o encontro, ela apresentou vídeos de pacientes acompanhados por ela ao longo dos anos. Uma delas foi a de Isa, que começou o tratamento aos 16 anos com óleo rico em CBD e, quatro anos depois, passou no vestibular para o curso de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

“São 4 anos de tratamento e hoje ela é outra pessoa. Tenho certeza que a Cannabis ajudou ela a concretizar tudo isso.”

A médica foi cuidadosa ao explicar esses resultados. Para ela, a Cannabis é uma ferramenta terapêutica que, quando bem indicada e acompanhada, pode oferecer mais bem-estar, autonomia e qualidade de vida.

O uso de medicamentos à base de Cannabis no Brasil

Este workshop inaugurou uma linha de atividades do Cannabis & Saúde voltada a trazer informação para profissionais de saúde. O formato aprofundado, com dados clínicos, discussão de formulações e relatos de casos reais, marca uma nova etapa no debate técnico-científico sobre o uso de derivados da Cannabis.

Se você ou alguém próximo deseja iniciar um tratamento com medicamentos à base de Cannabis, é fundamental buscar orientação profissional. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de canabinoides com prescrição médica.

Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com profissionais experientes nesse tipo de terapia.

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