A história da gata Sabotinha, uma felina frajola sem raça definida de 9 anos e 3 meses, mostra como a Cannabis medicinal na veterinária tem se tornado uma alternativa real no manejo de doenças crônicas em animais.
Diagnosticada com doença renal crônica, ela passou de um quadro marcado por vômitos constantes, falta de apetite e visitas frequentes à clínica para uma rotina estável após iniciar tratamento com óleo de Cannabis prescrito pela veterinária Nicoli Benedito Silva CRMV /SC 13606.
Quem conta essa trajetória é a tutora Julia Maria, que acompanhou de perto cada fase da doença e as tentativas de tratamento até chegar à terapia canabinoide.
“É uma doença que não tem cura. O que existe é manejo para que o animal consiga continuar se alimentando e tenha qualidade de vida”, explica.
O diagnóstico: vômitos recorrentes e perda de apetite
A doença renal crônica em gatos é um problema relativamente comum e acontece quando, ao longo do tempo, os rins vão perdendo a capacidade de filtrar o sangue corretamente.
No caso de Sabotinha, o alerta veio através de um sintoma clássico da doença: vômitos frequentes. Segundo Julia, os episódios começaram de forma repetida até se transformarem em uma crise mais intensa. “Ela começou a vomitar muito e chegou um momento em que praticamente não estava se alimentando.”
Após exames veterinários, veio a confirmação da insuficiência renal. A condição faz com que substâncias tóxicas como ureia e creatinina se acumulem no organismo, provocando intoxicação e causando sintomas como:
- Náusea constante
- Falta de apetite
- Vômitos recorrentes
- Perda de peso
“Como os rins não conseguem filtrar direito, essas toxinas vão se acumulando e isso causa muito enjoo. Ela ficava enjoada e não queria comer”, conta a tutora.
As primeiras tentativas de tratamento
Assim que recebeu o diagnóstico, Sabotinha iniciou o tratamento convencional para controle dos sintomas.
Entre as medicações utilizadas estava a ondansetrona, um antiemético bastante conhecido na medicina humana, usado para controlar náuseas e vômitos.
Mas os resultados foram limitados. “Ela continuava comendo muito pouco e ainda tinha episódios de vômito.”
Para evitar a piora do quadro, Sabotinha precisou passar a fazer aplicações frequentes de soro subcutâneo, procedimento que ajuda na hidratação e na diluição das toxinas acumuladas no organismo.
Durante um período, a rotina incluía até duas idas por semana à clínica veterinária. “Era necessário fazer soro para hidratar e também para tentar diluir essas toxinas.”
Em momentos mais críticos, foi preciso recorrer a medicações antieméticas mais fortes.
A ideia de tentar Cannabis medicinal
Foi nesse cenário que Julia começou a considerar uma alternativa diferente: o uso de Cannabis medicinal.
Ela já conhecia o potencial terapêutico da planta para humanos, especialmente no controle de náuseas e estímulo do apetite, dois sintomas centrais no quadro de Sabotinha. “Eu já conhecia a Cannabis medicinal, mas para uso humano. Sabia que ela podia ajudar.”
A tutora então levou a ideia à veterinária que acompanhava a gata naquele momento. Foi aí que surgiu uma coincidência importante. Na mesma clínica trabalhava uma profissional com experiência nesse tipo de terapia: a médica veterinária Dra. Nicolli Benedito, que passou a conduzir o tratamento.
O início do tratamento com óleo de Cannabis
Após consulta e avaliação do histórico clínico, Sabotinha iniciou o tratamento com óleo de Cannabis medicinal e, como é comum, o processo exigiu ajustes graduais de formulação e dosagem. “No começo usamos um óleo com predominância de CBD e pouco THC”, explica a tutora.
O CBD (Canabidiol) é o composto mais conhecido da Cannabis medicinal, mas o THC (tetrahidrocanabinol) também possui propriedades terapêuticas importantes — especialmente no controle de náusea e na estimulação do apetite.
Com acompanhamento veterinário, a formulação foi sendo adaptada até chegar à proporção que trouxe melhores resultados para Sabotinha: uma relação de 1 parte de CBD para 3 partes de THC.
A melhora veio em poucos dias
Depois que a dose ideal foi encontrada, os efeitos começaram a aparecer rapidamente. “Quando acertamos a dosagem, em cerca de uma semana mudou completamente.”
Os vômitos diminuíram, o enjoo praticamente desapareceu e o apetite voltou.
Com isso, Sabotinha conseguiu recuperar peso e massa muscular que havia perdido durante o período mais crítico da doença. “Ela estava bem magrinha antes. Depois começou a ganhar peso de novo.”
Menos idas à clínica
A melhora no apetite trouxe outro impacto importante: a redução das visitas para aplicação de soro. Se antes a frequência era de duas vezes por semana, o intervalo passou a aumentar progressivamente.
Primeiro semanal, depois quinzenal — até chegar ao cenário atual. “Hoje a gente vai uma vez por mês, no máximo duas.”
A alimentação também passou a incluir patês e alimentos úmidos, que ajudam a aumentar o consumo de água, algo essencial para animais com doença renal.
Três anos convivendo com a doença
Sabotinha foi diagnosticada há cerca de três anos. Na época, estava no estágio 2 da doença renal crônica. Hoje, está no estágio 3, uma progressão considerada esperada pelos veterinários, já que o tecido renal não se regenera.
Mesmo assim, o quadro permanece estável graças ao acompanhamento clínico. Além do óleo de Cannabis, ela também recebe:
- Acompanhamento com especialistas;
- Suporte de nefrologia veterinária;
- Suplementações específicas para a condição renal.
Segundo Julia, a diferença na qualidade de vida é evidente. “Ela está ativa, brinca e tem pouquíssimas quedas de apetite.”
Um tratamento que mudou o manejo da doença
Para a tutora, a Cannabis medicinal não representou uma cura — algo que a medicina veterinária ainda não oferece para a doença renal crônica.
Mas foi o que permitiu controlar os sintomas que mais comprometiam a vida da gata. “Não tem nem comparação com antes.”
Hoje, Sabotinha segue convivendo com a doença, mas com apetite, energia e estabilidade clínica, algo que parecia difícil de alcançar no início do diagnóstico.
O avanço da Cannabis medicinal na veterinária
Histórias como a de Sabotinha ajudam a ilustrar um movimento que começa a ganhar espaço na medicina veterinária: a busca por novas ferramentas terapêuticas capazes de melhorar a qualidade de vida de animais com doenças crônicas.
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