A história de Hanna, uma pastor alemão fêmea de 11 anos e 11 meses, mostra como a Cannabis medicinal na veterinária também vem sendo utilizada no manejo de dor crônica e mobilidade em cães idosos.
Diagnosticada com artrose e displasia, condições comuns em raças de grande porte e que costumam causar dor e dificuldade de locomoção, Hanna chegou a um momento em que quase não se movimentava mais. A mudança começou após o início do tratamento com óleo de Cannabis prescrito pela médica-veterinária Dra. Nicoli Beneditto.
Quem acompanhou toda essa trajetória foi a tutora Leda Regina de Araujo, que percebeu mudanças importantes no comportamento da cadela logo após o início da terapia.
“Ela praticamente não se mexia mais. Parecia que tinha perdido a alegria de viver”, conta.
Dor, imobilidade e uma mudança no comportamento
A artrose e a displasia são doenças articulares degenerativas que podem comprometer a mobilidade dos cães, principalmente em animais de grande porte e idade avançada.
No caso de Hanna, os sinais se tornaram mais evidentes após um episódio marcante: a perda do companheiro de vida, outro pastor alemão que convivia com ela.
Segundo Leda, a mudança de comportamento foi bastante perceptível. “No final de 2023 ela perdeu o amigo dela e praticamente não se mexia mais.”
Além da limitação física provocada pelas doenças articulares, a cadela demonstrava menos interesse pelas atividades do dia a dia.
O encaminhamento para acupuntura
Diante da situação, a veterinária que acompanhava Hanna naquele momento, Dra. Fernanda, sugeriu um novo caminho terapêutico: sessões de acupuntura veterinária.
Foi nesse contexto que Leda conheceu Dra. Nicoli Beneditto. Durante a avaliação clínica, a veterinária percebeu que o longo tempo que Hanna permanecia deitada poderia estar relacionado a um quadro importante de dor.
A partir disso, sugeriu a introdução da Cannabis medicinal como parte do tratamento.
O início da terapia com Cannabis
Segundo a tutora, Hanna não chegou a iniciar tratamentos convencionais antes da terapia canabinoide. A decisão de começar com a Cannabis aconteceu após a avaliação da veterinária e levando em consideração o histórico do outro cão da família, que também era acompanhado pela mesma profissional.
A resposta ao tratamento veio rapidamente. “Logo que a Hanna começou a tomar, ela melhorou. Começou a caminhar mais e a gente viu mais alegria no dia a dia.”
Pequenos sinais de melhora
As primeiras mudanças apareceram em comportamentos simples do cotidiano. Antes do tratamento, Hanna quase não latia mais — algo incomum para um pastor alemão. Depois do início da terapia, o comportamento começou a mudar. “O latido voltou a ser forte. Antes era bem debilitado.”
A disposição também melhorou. Segundo a tutora, Hanna passou a se mostrar mais atenta ao ambiente, mais acordada e com maior interesse nas atividades ao redor.
Recuperando mobilidade
Outro ponto importante foi a melhora no caminhar. Antes bastante debilitada, Hanna passou a demonstrar mais habilidade para se movimentar pela casa.
“Ela já estava bem debilitada no andar. Hoje ela caminha com mais habilidade.” Mesmo sendo uma cadela idosa e de grande porte, Hanna voltou a realizar atividades que antes pareciam difíceis. Segundo Leda, ela consegue subir e descer escadas com mais facilidade, adaptando-se aos trechos mais fáceis do terreno.
Na casa da família há áreas com desníveis e pequenos morros, mas Hanna tem conseguido se locomover com mais segurança. “Ela procura os lugares mais fáceis para descer.”
Mudanças no comportamento e no humor
A melhora também foi perceptível na expressão corporal da cadela. Segundo a tutora, Hanna passou a demonstrar sinais claros de maior vitalidade. “Ela é outra. As orelhinhas estão mais em pé”, comemora.
Além disso, pequenas corridas voltaram a fazer parte da rotina.
Outro fator que contribuiu para esse novo momento foi a chegada de uma nova companheira canina na casa. A presença da outra cadela acabou estimulando ainda mais a interação e a movimentação de Hanna.
Um novo momento na rotina
Hoje, Hanna continua convivendo com as limitações naturais da idade e das doenças articulares, mas apresenta mais vigor e disposição no dia a dia. O apetite permanece bom, com pequenas variações consideradas normais para a idade.
Segundo Leda, o resultado do tratamento trouxe tranquilidade para a família. “Hoje ela tem mais vigor. A gente está muito feliz com o resultado.”
A experiência com Hanna levou a tutora a compartilhar a possibilidade do tratamento com outros cuidadores de cães. Para ela, o mais importante é garantir bem-estar aos animais que fazem parte da família.
“Queremos ver o bem do cãozinho que a gente cuida. Eles trazem muita alegria para a nossa vida”, finaliza.
O avanço da Cannabis medicinal no cuidado de cães idosos
Casos como o de Hanna ajudam a evidenciar uma mudança gradual – mas bem perceptível -, na medicina veterinária: a ampliação do olhar terapêutico para estratégias que priorizem controle da dor, mobilidade e qualidade de vida, especialmente em animais idosos ou com doenças crônicas como artrose e displasia.
A utilização clínica da Cannabis medicinal já começa a fazer parte da rotina de alguns profissionais no Brasil. Ainda assim, o tema exige preparo técnico e atualização constante, já que a prescrição responsável envolve conhecimento sobre farmacologia, protocolos clínicos e acompanhamento adequado de cada paciente.
Nesse contexto, a formação continuada tem se tornado um caminho importante para veterinários que desejam compreender melhor essa abordagem terapêutica e aplicá-la com segurança na prática clínica.
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A publicação conta com revisão técnica da médica-veterinária Dra. Mariana de Paula (CRMV-SP 21.785), profissional reconhecida pela atuação clínica com terapias à base de fitocanabinoides no país.