Diagnosticada com linfoma, um tipo de câncer que acomete o sistema linfático e pode apresentar comportamento agressivo, a cadela Blue iniciou protocolo de quimioterapia convencional e, de forma complementar, passou a utilizar Cannabis medicinal sob acompanhamento veterinário.
A decisão foi tomada pela tutora, Duda, em conjunto com a médica-veterinária Dra. Mariana de Paula (CRMV-SP 21.785), que acompanha o caso. A proposta nunca foi substituir o tratamento oncológico tradicional, mas associar estratégias capazes de reduzir efeitos adversos e preservar a qualidade de vida da paciente.
Controle de sintomas e redução medicamentosa
Blue iniciou a terapia com Cannabis simultaneamente à quimioterapia. Por isso, segundo a tutora, os efeitos positivos foram percebidos desde o começo do tratamento.
“Ela explicou que ajudaria a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Foi por isso que decidimos associar”, relata Duda.
Entre os principais benefícios observados está a redução do uso de medicamentos de suporte. Fármacos prescritos para controle de náuseas, alterações intestinais e desconfortos gastrointestinais passaram a ser utilizados apenas de forma pontual.
“A gente teve que usar pouquíssimas vezes. E não por causa da quimioterapia, mas porque ela comeu algo que não devia.”
Em pacientes oncológicos, especialmente em protocolos quimioterápicos, é comum a necessidade de múltiplos medicamentos auxiliares para mitigar efeitos colaterais. A diminuição dessa demanda contribuiu para uma rotina terapêutica mais simples e confortável.
Ajuste de dose e adaptação clínica
A introdução da Cannabis foi feita de forma gradual, com titulação de dose orientada pela veterinária. Como esperado em protocolos com fitocanabinoides, a dose foi ajustada conforme a resposta individual.
“Quando ela ficou um pouco mais sonolenta, a orientação foi reduzir. Hoje ela toma quatro gotas pela manhã e quatro à noite. É uma dose alta, mas ela responde muito bem”, explica a tutora.
Não houve intercorrências relevantes. A adaptação foi considerada positiva, com manutenção do comportamento habitual da cadela.
Manutenção do apetite e da disposição
Um dos principais desafios em tratamentos oncológicos é a perda de apetite. No caso de Blue, o cenário foi diferente. Segundo Duda, o apetite permaneceu preservado ao longo do tratamento.
“Ela come ração normalmente e às vezes a gente complementa com um pouco de frango ou brócolis, mas bem pouco. Ela come super bem.”
Além da alimentação adequada, a disposição também foi mantida. Mesmo em tratamento contra um câncer agressivo, Blue segue ativa, responsiva e com comportamento compatível ao seu padrão habitual.
Recuperação cirúrgica e uso complementar
Durante o tratamento, Blue passou por uma cirurgia oftalmológica após lesionar o olho ao se coçar — ela também apresenta histórico de dermatite. A Cannabis foi mantida no protocolo e, segundo a tutora, contribuiu para o processo de recuperação.
“No hospital comentaram que ajudou bastante na recuperação.” Duda relata ainda o uso complementar em situações específicas, sempre com orientação profissional, inclusive para auxiliar no manejo de desconfortos dermatológicos.
Cannabis medicinal e medicina veterinária contemporânea
O caso de Blue ilustra um movimento crescente na medicina veterinária brasileira: o uso responsável da Cannabis medicinal como terapia complementar, baseada em evidências científicas, prescrição individualizada e acompanhamento clínico contínuo.
A abordagem integrativa não substitui protocolos consolidados, como a quimioterapia, mas amplia as possibilidades de cuidado, especialmente no controle de sintomas e na promoção de bem-estar em doenças crônicas ou graves.
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E-book “Cannabis na Medicina Veterinária”
Para profissionais e tutores interessados em compreender melhor esse cenário, o Portal Cannabis & Saúde disponibiliza gratuitamente o e-book “Cannabis na Medicina Veterinária”, construído com base em evidências científicas, atualização regulatória e casos clínicos reais. O material conta com revisão da médica-veterinária Dra. Mariana de Paula, responsável pelo tratamento da Blue.
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