O diagnóstico de autismo, TDAH, dislexia e discalculia trouxe à rotina de uma família uma sequência de desafios que iam muito além das dificuldades escolares. A paciente, hoje com 12 anos, enfrentava questões que afetavam diretamente sua autoestima, sua disposição e sua relação com o aprendizado.
A mãe, Adrielle Da Silva Alves Barbosa, lembra que a filha se sentia constantemente inferior às outras crianças. “Ela era uma menina com baixa autoestima, se sentia inferior às outras crianças, por conta do seu baixo desempenho na escola”, conta. As dificuldades em sala de aula não eram apenas pedagógicas — eram emocionais. Havia frustração, insegurança e tristeza.
Entre desafios e conquistas: como a cannabis medicinal mudou a rotina de uma família
Até então, a adolescente nunca havia feito tratamento com medicações alopáticas. A virada começou em uma consulta com o Dr Gabriel Costa. “Fomos no consultório do Dr. Gabriel Costa, e ele nos apresentou o óleo, nos deu confiança”, relembra a mãe. Foi ali que surgiu a possibilidade da Cannabis medicinal como alternativa terapêutica.
Os primeiros sinais de mudança vieram de forma gradual, mas perceptível. Adrielle descreve o impacto: “Quando começamos o tratamento com a Cannabis, eu pude ter minha filha de volta.” A transformação se refletiu na escola, mas não apenas nela. A menina que antes se sentia incapaz passou a surpreender. “Ela tirou uma nota muito boa em matemática”, diz a mãe, destacando que, junto com o desempenho, vieram também mais ânimo, alegria e disposição.
O sono, antes irregular, tornou-se mais tranquilo. A alimentação, marcada por seletividade, começou a se ampliar. Pequenos gestos passaram a ter um significado imenso dentro de casa. Um deles ficou marcado na memória da família: a primeira vez que a menina aceitou experimentar macarrão com camarão. “Ela só comia um tipo de carne, hoje consegue comer outras opções”, relata Adrielle. Para quem convive com a seletividade alimentar no espectro autista, cada novo alimento é uma conquista.
As noites também mudaram. “Ela dorme a noite toda sem se levantar.” E os dias passaram a ser mais leves. A menina começou a brincar mais com os irmãos, a demonstrar mais interesse pela escola e, surpreendentemente, a gostar de matemática.
Cannabis medicinal no autismo: avanços na rotina, autoestima e convívio familiar
Atualmente, o acompanhamento segue com o médico, e o óleo de Cannabis permanece como parte central do protocolo terapêutico. A rotina é intensa: escola durante o dia e, em casa, a mãe assume um papel ativo no desenvolvimento da filha. “Eu estou sempre com ela, fazendo alguma atividade, jogos educativos, lendo livros.” Ainda não há acompanhamento terapêutico complementar, mas há presença constante, dedicação e estímulo diário.
Para Adrielle, a comparação entre o antes e o depois é inevitável. “A vida da minha filha mudou bastante. Tem um longo caminho, mas eu posso ver que melhorou bastante. Eu posso ver que ela está mais feliz.” A palavra felicidade aparece com frequência quando fala da filha — e é acompanhada de outras: confiança, comunicação, alegria. “Ela vive melhor, é mais alegre, mais confiante, sorri mais, se comunica melhor com a gente da família. Claro que tem coisas que precisam melhorar, mas leva tempo.”
O caminho, no entanto, não foi livre de julgamentos. Ao compartilhar o diagnóstico e a decisão pelo uso da Cannabis medicinal, a mãe se deparou com o preconceito dentro da própria família. “Eu vi o preconceito deles. Eu acho que deveriam ler mais, estudar sobre o assunto.” Para ela, a informação é a principal ferramenta para quebrar estigmas. “O óleo de cannabis está salvando minha filha e outras pessoas também.”
Ao falar sobre o médico que conduziu o tratamento, a emoção volta à tona. “Eu sempre falo que o Dr. Gabriel Costa foi um anjo em nossas vidas. Ele nos deu esperança, confiança, empatia. Ele trouxe minha pequena de volta.”
Entre diagnósticos, incertezas e descobertas, a história dessa família é marcada por algo maior que qualquer protocolo terapêutico: a reconstrução da autoestima de uma criança que voltou a sorrir — e de uma mãe que voltou a ter esperança.
Importante!
Cada criança é única — e, no caso retratado nesta reportagem, o uso da Cannabis medicinal acontece com acompanhamento médico individualizado e avaliação constante. A conduta é definida de forma cuidadosa, respeitando as necessidades específicas da paciente e sua fase de desenvolvimento.
Em quadros de autismo e transtornos do neurodesenvolvimento, não existe solução única ou fórmula pronta. O que funciona para uma família pode não ser indicado para outra. Por isso, qualquer decisão deve ser tomada com orientação médica, de maneira segura e responsável.
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