A história da Mia, uma gata com doença inflamatória intestinal tratada com Cannabis medicinal, chama atenção por dois aspectos que surgiram quase ao mesmo tempo: a recuperação do pelo e a melhora de parâmetros clínicos importantes após o início do tratamento. Felina sem raça definida, com aproximadamente 12 a 13 anos, ela passou a apresentar essas mudanças ao longo do acompanhamento veterinário.
Diagnosticada com doença inflamatória intestinal, condição que pode causar vômitos, diarreia e alterações sistêmicas, Mia já vinha sendo acompanhada com tratamento convencional. Mas foi após uma complicação grave em 2024 que o quadro se tornou mais delicado.
Um quadro grave e as primeiras sequelas
No meio de 2024, Mia enfrentou um episódio severo de saúde que exigiu internação por três dias. A partir desse evento, surgiram alterações persistentes no organismo — especialmente no intestino.
“Depois disso, ela ficou com uma alteração intestinal importante”, relata a tutora, Raquel Lima.
Além dos sintomas digestivos, outro sinal chamou atenção: uma perda significativa de pelos, principalmente nas patas traseiras e na região abdominal.

O tratamento convencional e suas limitações
O manejo inicial da doença inflamatória intestinal foi feito com abordagem tradicional, incluindo o uso de corticoides. Segundo Raquel, houve uma melhora parcial do quadro clínico. “Ela estabilizou um pouco, mas não totalmente.”
Ao mesmo tempo, surgia outra preocupação: os exames indicavam que a função renal estava no limite para insuficiência renal, um fator que exige cautela no uso prolongado de certos medicamentos.
Além disso, a condição da pelagem não melhorava. “O pelo dela só piorava.” Foi nesse contexto que surgiu a decisão de buscar uma alternativa que pudesse ajudar tanto no controle da inflamação quanto na possibilidade de reduzir a carga de medicamentos.
A introdução da Cannabis medicinal
A Cannabis medicinal foi incorporada, com a prescrição da médica-veterinária Dra. Nicoli Beneditto, ao tratamento com dois objetivos principais: auxiliar no controle da doença inflamatória intestinal e tentar reduzir a necessidade de corticoides.
O início do uso trouxe respostas rápidas — e algumas delas inesperadas.
A recuperação dos pelos em poucas semanas
Uma das primeiras mudanças percebidas foi na pelagem. “A coisa mais impressionante foi o pelo.”
Segundo a tutora, em cerca de dois meses, Mia já apresentava uma recuperação evidente. “Ela ficou toda peludinha de novo. O pelo voltou mais macio, mais brilhante.”

Embora com uma leve mudança de tonalidade, a qualidade da pelagem melhorou de forma significativa — algo que, até então, não havia respondido ao tratamento convencional.
Melhora da função renal
Outro ponto que surpreendeu foi a evolução dos parâmetros renais. Mia já apresentava, há anos, valores no limite superior da normalidade — próximos de um quadro de insuficiência renal. Após o início da Cannabis, houve mudança nos exames. “A creatinina baixou. Foi a primeira vez que ficou abaixo de 1.” Para a tutora, esse foi um dos momentos mais marcantes de todo o processo.
Ajustes no tratamento
Com a melhora inicial, houve uma tentativa de reduzir a dose do corticoide. No entanto, a diminuição levou ao retorno de alguns sintomas gastrointestinais, como episódios de diarreia. Diante disso, a decisão foi manter o tratamento combinado: medicação convencional e o uso contínuo da Cannabis medicinal
O objetivo passou a ser a estabilidade clínica a longo prazo.
Um ano depois: quadro estável e qualidade de vida
Atualmente, Mia está há cerca de um ano e dois meses em uso diário de CBD. Desde então, o quadro clínico permanece controlado: a doença intestinal está estável, a função renal equilibrada, o peso adequado e a pelagem saudável.
As crises de vômito são raras e, segundo a tutora, geralmente associadas a episódios em que a gata sai da dieta específica indicada para o intestino. “Ela está ótima. Muito estável.”
Comportamento e rotina

Apesar da doença, Mia nunca apresentou grandes alterações de mobilidade ou perda de apetite — características que se mantiveram ao longo do tratamento. O que mudou, segundo Raquel, foi a disposição geral. Hoje, Mia apresenta um nível de atividade considerado alto para a idade. “Ela tem um nível de brincadeira incrível para um gato idoso.”
Entre todas as mudanças, dois pontos marcaram mais a experiência da tutora: a recuperação da pelagem e a melhora da função renal. “Foi algo que deu para ver claramente nela.”
Com anos de experiência cuidando de gatos, Raquel relata que passou a indicar que outras pessoas conversem com veterinários sobre a possibilidade do uso da Cannabis medicinal. “Foi algo que realmente me surpreendeu.”
Hoje, Mia vive com uma condição crônica que exige acompanhamento contínuo, incluindo exames e controle clínico regular. Mas, dentro desse cenário, apresenta estabilidade, apetite e qualidade de vida.
Para a tutora, o impacto do tratamento é claro.
“Ela está muito bem”, finaliza.
Importante!
A trajetória da Mia evidencia como, diante de quadros complexos e respostas limitadas aos protocolos tradicionais, a medicina veterinária começa a abrir espaço para abordagens complementares mais amplas. A Cannabis medicinal surge, nesse contexto, não como substituição imediata, mas como uma ferramenta que pode integrar estratégias terapêuticas com foco em equilíbrio sistêmico e acompanhamento contínuo, sempre pensando no bem-estar e qualidade de vida do animal.
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