Quando Janaína Camargo fala sobre o futuro, não usa palavras grandiosas nem promessas fáceis. O que ela expressa é desejo concreto, vivido no detalhe do cotidiano: “Em 2026 espero aumentar as terapias com CBD e que meu filho evolua mais”. A frase resume uma jornada marcada por tentativas, frustrações, aprendizado e resistência, uma travessia comum a milhares de famílias brasileiras que convivem com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Mãe de Miguel, uma criança com autismo nível três de suporte, Janaína decidiu tornar pública a própria experiência. Nas redes sociais, produz conteúdos que fogem da romantização frequentemente associada ao autismo. “Não é um filme bonito. É intenso, cansa, suga energia. Mas informação salva”, afirma.
Entre os relatos que compartilha, um ponto aparece com clareza: o papel do Canabidiol como aliado no tratamento do filho, desde que usado com critério, acompanhamento médico e ajuste individualizado.
“Hoje ele dorme melhor, entende comandos simples, explora o ambiente. E começou a falar algumas palavras. Quando ele me chama de ‘mamãe’, meu coração até erra a batida”, conta Janaína.
Uma trajetória que não foi linear
O caminho até esse momento de estabilidade esteve longe de ser simples. Janaína descreve a própria história com o CBD como uma sequência de erros e aprendizados. “A minha trajetória com o uso do CBD não foi fácil, nem linear”, diz.
Há cerca de nove meses, após sucessivas tentativas, ela conseguiu, junto à médica do filho, chegar à dosagem adequada. O impacto foi direto, especialmente no sono de Miguel.
“Quando acertamos a dosagem do CBD, ele começou a ficar melhor em relação à seletividade, à agressividade e ao sono. Ele hoje é outra criança em relação ao sono”, relata.
Antes disso, porém, a rotina era marcada por crises constantes. “O Miguel batia, chutava, mordia. Era tenso o ano passado. Eu não sabia mais o que fazer”, relembra. A virada só aconteceu quando uma nova médica propôs rever completamente a estratégia.
“Ela me disse: ‘Vamos melhorar essa dosagem do CBD e do produto’. Me orientou um importado. E ali foi a virada de chave. Quando comecei a dar quatro gotas para o Miguel, ele melhorou muito”, afirma.
Autismo exige mais do que protocolos
Miguel é uma criança com TEA nível três de suporte, o grau que demanda maior necessidade de apoio. Para Janaína, isso exige mais do que receitas prontas. “O caso dele exige escuta, ajuste fino e acesso contínuo a terapias”, diz.
A história da família passa por um colapso no fim de 2023, quando Miguel começou a apresentar crises intensas de agressividade. À época, ele já fazia uso de risperidona desde os dois anos e nove meses. A troca de profissionais, após a saída da neuropediatra do plano de saúde, agravou o cenário. “Eu sabia que, se outra médica pegasse meu filho daquele jeito, ela ia entupir ele de remédio”, relembra.
O temor de Janaína dialoga com uma preocupação crescente entre famílias atípicas: a medicalização excessiva sem integração com terapias estruturadas.
Autismo em números: uma urgência silenciosa
A experiência de Janaína reflete uma realidade em expansão. Dados recentes do CDC indicam que 1 em cada 36 crianças está no espectro do autismo nos Estados Unidos. No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde apontam para cerca de 2 milhões de pessoas com TEA.
Especialistas são unânimes ao afirmar que crianças com nível três de suporte dependem de intervenções terapêuticas intensivas e contínuas, como fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia comportamental. A interrupção desses atendimentos costuma gerar regressões importantes, exatamente o que aconteceu com Miguel.
Durante o período mais crítico, ele ficou 110 dias sem atendimento terapêutico, após o descredenciamento da clínica pelo plano de saúde. “Esse foi um fator decisivo para a regressão dele”, afirma Janaína.
O que a ciência confirma — e o que ela não promete
A vivência da família está alinhada ao que a ciência vem apontando. Estudos indicam que o CBD pode ajudar a modular sintomas associados ao autismo como irritabilidade, distúrbios do sono e agressividade, mas não altera a condição em si. Janaína faz questão de deixar isso claro:
“Sempre falo que o CBD não cura o autismo. O Miguel segue autista. O que muda é que ele dorme melhor, fica mais regulado e eu vejo diferença no dia a dia.”
“Não é dopar criança. É garantir acesso”
Apesar dos avanços com o CBD, Janaína reforça que a medicação não substitui as terapias. Hoje, Miguel faz apenas duas sessões semanais, número que ela considera insuficiente. “Uma criança nível três não pode fazer uma fono por semana. Isso gera regressão”, afirma.
Ela também critica a lógica da medicalização excessiva. “Não é entupir a criança de remédio. Meu filho precisa de terapia. O CBD ajudou porque ele parou de ficar dopado e passou a estar presente”, resume.
Da dor individual ao acolhimento coletivo
Ao compartilhar a própria história, Janaína percebeu que muitas mães viviam situações semelhantes. “As pessoas romantizam o autismo. Mas quem vive sabe que não é fácil”, diz. Hoje, ela orienta outras famílias a buscarem diagnóstico precoce e acompanhamento especializado.
“O diagnóstico não é o fim. É o começo.”
Olhar para o futuro
Depois de um ano que ela define como “difícil, mas de muito aprendizado”, Janaina olha para o futuro com os pés no chão. “O CBD hoje é o medicamento mais importante da vida do meu filho. Estou fazendo o desmame de outros remédios. Em 2026, espero aumentar as terapias com o CBD e que meu filho evolua que seja mais independente, que a fala avance”, projeta. Nós estamos na torcida.
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