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Estudo clínico mostra como o CBD ajuda na hipertensão primária

Estudo clínico mostra como o CBD ajuda na hipertensão primária

Cannabis e saúde cardiovascular. Segundo estudo clínico, o canabidiol apresenta efeitos positivos na pressão arterial e na inflamação em pessoas com hipertensão primária

Publicado em

22 de dezembro de 2025

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Estudo clínico mostra como o canabidiol ajuda na hipertensão primária

A hipertensão primária é o tipo mais comum de pressão alta e, ao mesmo tempo, um dos mais difíceis de explicar. Diferente da hipertensão secundária, que surge como consequência direta de outra condição de saúde, a primária não tem uma causa única identificável. Ela resulta da combinação de diversos fatores, como genética, envelhecimento, estresse crônico e alterações no funcionamento dos vasos sanguíneos.

Na busca por alternativas que ajudem a reduzir a pressão arterial em pessoas com hipertensão primária, pesquisadores investigaram o uso contínuo de canabidiol (CBD), um dos compostos da Cannabis. Os resultados, publicados no European Heart Journal, foram obtidos a partir de um estudo clínico com alto rigor metodológico e podem representar uma nova abordagem terapêutica.

Um ensaio clínico rigoroso

O estudo clínico foi conduzido no formato randomizado, controlado por placebo, cruzado e triplo-cego. Isso significa que, desse modo, nem os participantes nem os pesquisadores sabiam quem estava usando CBD ou placebo em cada fase do estudo, reduzindo vieses nos resultados.

Participaram 70 pacientes com hipertensão primária. Cada voluntário recebeu canabidiol por via oral durante cinco semanas e, em outro momento, placebo. Entre as fases, houve um período de pausa (washout) para evitar interferência nos resultados. Durante todo o estudo, os pesquisadores monitoraram:

  • • Pressão arterial;
  • • Exames de sangue com marcadores inflamatórios;
  • • Segurança e tolerabilidade do CBD;
  • • Parâmetros cardiovasculares.

Queda relevante da pressão arterial

Após cinco semanas de uso do CBD, os pacientes apresentaram uma queda média de cerca de 4 mmHg sistólica e 3 mmHg na diastólica. No período em que utilizaram placebo, essa redução não foi observada.

Embora os valores pareçam modestos à primeira vista, as reduções foram sustentadas e consideradas clinicamente relevantes, com potencial para reduzir o risco de eventos cardiovasculares ao longo do tempo. Além disso, o CBD foi bem tolerado, sem registro de efeitos adversos significativos durante o estudo.

Como o canabidiol ajuda a diminuir a pressão

Além da redução da pressão arterial, os pesquisadores buscaram entender quais mecanismos de ação do canabidiol estavam por trás desses efeitos na hipertensão primária. O uso do CBD esteve associado à diminuição de substâncias no sangue relacionadas a:

  • • Ativação excessiva dos sistema nervoso simpático (responsável por respostas ao estresse);
  • • Contração dos vasos sanguíneos;
  • • Processos inflamatórios.

Entre os marcadores que apresentaram redução estão a catestatina, a urotensina II e algumas interleucinas ligadas à inflamação, como IL-8, IL-10 e IL-18. Também foi observada uma correlação entre a queda desses marcadores e a redução da pressão arterial. Nesse sentido, os resultados sugerem que o CBD pode atuar de forma ampla, ajudando a:

  • • Modular o sistema nervoso, reduzindo estímulos que elevam a pressão;
  • • Melhorar a função do endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos;
  • • Atenuar processos inflamatórios que contribuem para o enrijecimento e o mau funcionamento das artérias.

Ainda assim, os autores destacam que o CBD atua em múltiplos alvos no organismo e que os mecanismos exatos ainda estão em investigação.

Um caminho promissor

Estudos anteriores já observaram que a combinação do canabidiol com as terapias convencionais pode potencializar os efeitos do tratamento da hipertensão. De acordo com pesquisadores da UFPB, as propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes do canabidiol contribuem para esses benefícios na hipertensão primária.

No entanto, é fundamental ressaltar que, apesar de se tratar de um estudo clínico robusto, ainda não existem protocolos médicos estabelecidos para o uso do canabidiol no tratamento da hipertensão primária. Mais pesquisas são necessárias para definir doses, duração e perfis de pacientes que podem se beneficiar.

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