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Dia Mundial do Câncer: como a Cannabis pode ajudar

Dia Mundial do Câncer: como a Cannabis pode ajudar

Avanços científicos revelam o potencial da Cannabis no combate ao câncer, explorando propriedades antitumorais e no alívio dos efeitos colaterais do tratamento

Publicado em

8 de abril de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Dia Mundial do Câncer: como a Cannabis pode ajudar

Em um esforço para conscientizar, mobilizar e inspirar ações, o Dia Mundial de Combate ao Câncer é celebrado anualmente em 8 de abril.

À medida que a ciência avança, novas alternativas de tratamento surgem. Com isso, cresce também o interesse sobre como a Cannabis pode atuar como aliada no cuidado de pessoas com câncer.

Para o médico Rodrigo Eboli, especialista em Cuidados Paliativos e Cirurgia Oncológica, esse movimento reflete um avanço na prática clínica:

Hoje, temos evidências sólidas para o controle de náuseas e vômitos pós-quimioterapia e para a dor crônica. Isso já é amplamente aceito por diversas sociedades médicas internacionais, inclusive a principal delas, a American Society of Clinical Oncology (ASCO)”, afirma.

Dr. Rodrigo Eboli - CRM 142765/SP | RQE 58585

Dr. Rodrigo Eboli – CRM 142765/SP | RQE 58585

Câncer no mundo: números que preocupam

No mundo inteiro, o câncer está entre as principais causas de morte. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença é responsável por cerca de 10 milhões de óbitos por ano.

Além disso, a entidade estima que os novos casos de câncer podem superar 35 milhões em 2050, um aumento de 77% em relação a 2022, quando foram 20 milhões de novos casos.

A expectativa é de crescimento contínuo nas próximas décadas. Esse aumento é impulsionado pelo envelhecimento da população e por fatores de risco modificáveis.

Isso evidencia a necessidade de ampliar estratégias de prevenção e de garantir qualidade de vida para aqueles que estão em tratamento oncológico.

Prevenção: o que está ao nosso alcance

Uma forma simples de reduzir o risco de vários tipos de câncer envolve a adoção de hábitos saudáveis, como:

  • • Prática de exercícios físicos;
  • • Ingestão de frutas e vegetais;
  • • Redução do consumo de bebidas alcoólicas;
  • • Abandono do tabagismo;
  • • Proteção ao se expor à luz solar

Estima-se que essas medidas poderiam evitar de um terço a metade dos casos de câncer.

Além disso, a vacinação contra o HPV e a hepatite B têm papel importante na prevenção de cânceres como o de colo do útero e fígado.

Desafios no Brasil: diagnóstico e tratamento

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o tumor maligno mais comum no Brasil continua sendo o de pele não melanoma, seguido pelos cânceres de mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago.

Grande parte das mortes por câncer ocorre em países de média e baixa renda, o que inclui o Brasil.

Esse cenário reforça a importância de ampliar o acesso a diagnóstico precoce e aos tratamentos, garantindo cuidado integral aos pacientes.

canabidioides-cannabis

Cannabis no cuidado oncológico

Nesse contexto, medicamentos à base de Cannabis tem sido cada vez mais considerada como uma abordagem complementar no cuidado oncológico, especialmente no controle dos sintomas.

Na prática clínica, o uso dos derivados da planta costuma ocorrer quando os tratamentos convencionais não são suficientes para garantir conforto ao paciente, como explica o Dr. Rodrigo Eboli.

Considero a Cannabis quando o objetivo é melhorar a qualidade de vida e o manejo dos sintomas. Ao invés de seguirmos aumentando as doses de medicamentos convencionais, e com isso aumentar os efeitos colaterais, a gente pode associar a medicina canabinoide”, destaca.

Entre os principais benefícios observados estão o controle de:

  • • Náuseas e vômitos
  • • Falta de apetite
  • • Dor
  • • Distúrbios do sono
  • • Ansiedade

No entanto, o médico ressalta que o uso deve sempre ter o acompanhamento de um profissional capacitado.

Os fitocanabinoides são considerados seguros, mas não são isentos de efeitos colaterais. Monitoro principalmente a sonolência excessiva, tonturas, boca seca e possíveis alterações cognitivas”, explica.

Dr. Eboli também chama atenção para possíveis interações medicamentosas, especialmente em pacientes em tratamento oncológico.

Os canabinoides são metabolizados pelo fígado pelas enzimas do citocromo P450, o mesmo sistema utilizado por muitos quimioterápicos. Isso significa que eles podem alterar a forma como esses medicamentos são processados no organismo.”

Menos estigma, mais informação

A percepção sobre o uso de medicamentos à base de Cannabis também vem mudando rapidamente, tanto entre médicos quanto entre pacientes.

De acordo com o especialista, o estigma vem dando lugar a uma busca por informações de qualidade sobre alternativas terapêuticas.

Muitas famílias já chegam até a gente perguntando sobre Cannabis, muitas vezes cansadas dos efeitos colaterais de medicamentos como opioides ou ansiolíticos.”

Além dos sintomas: impacto na qualidade de vida

Segundo o Dr. Rodrigo Eboli, quando bem aplicados, os medicamentos à base de Cannabis podem ir além do alívio dos sintomas.

Podem devolver o prazer de comer, melhorar o sono e trazer mais disposição para enfrentar o tratamento sem o peso do preconceito.”

O médico reforça que, apesar do número crescente de pessoas que utilizam esses medicamentos, “o mais importante é que o paciente não tente esse caminho sozinho”.

Uso responsável e com orientação médica.

Se você está em tratamento contra o câncer ou acompanha alguém nesta jornada, é fundamental buscar orientação médica antes de considerar o uso de medicamentos à base de Cannabis.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso desses medicamentos sob prescrição médica.

Na plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível encontrar profissionais experientes nesse tipo de terapia preparados para avaliar cada caso de forma individualizada.

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