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“Há muita desinformação sobre a endometriose”

“Há muita desinformação sobre a endometriose”

À frente do perfil @aendoeeu, Caroline Salazar transformou a dor em propósito, criou um clube para mulheres com endometriose e agora abre espaço para discutir, com responsabilidade, o uso da Cannabis medicinal no tratamento da doença.

Publicado em

14 de janeiro de 2026

• Revisado por

Fala, escreve e pesquisa sobre Cannabis, saúde e bem-estar. Mestre em Comunicação e Cultura, com passagem pela Unesco, já produziu milhares de histórias e conversas que mostram como a Cannabis transforma vidas. Mãe de dois, acredita em um mundo onde conhecimento e consciência caminham junto da planta.

A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta milhões de mulheres em todo o mundo. Ainda assim, segue cercada por mitos, desinformação e lacunas no acesso à informação qualificada. É um cenário semelhante ao enfrentado pela Cannabis medicinal. Ampliar o debate científico é imprescindível para garantir diagnóstico precoce e tratamentos mais eficazes. No Brasil, a endometriose é uma condição que afeta entre 10% e 15% das mulheres em idade reprodutiva e é uma das principais causas de dor pélvica crônica.

Para a jornalista e influenciadora Caroline Salazar, criadora do perfil @endoeeu, que soma mais de 36 mil seguidores e já impactou mais de 1 milhão de mulheres nas suas iniciativas, a maior dor nem sempre é apenas física.

“Eu sofri 18 anos sem diagnóstico. No total, foram 21 anos com dores severas e constantes”, relata. “Na minha época, a Cannabis medicinal nem era discutida. Eu usei muitos remédios, mas nenhum controlava os sintomas de forma eficaz”, relata.

Diagnosticada apenas aos 31 anos, Caroline passou por múltiplas cirurgias até alcançar o que hoje chama de cura cirúrgica completa.

“A única coisa que mexe na lesão é a cirurgia. O tratamento clínico trata os sintomas, mas não a causa. E mesmo assim, muitas cirurgias ainda são feitas de forma incompleta”, avalia.

Desinformação e mitos sobre a endometriose 

Para Carol, a endometriose ainda é tratada sob uma ótica ultrapassada. Tanto pela sociedade como pela a própria área médica. E, além disso, ela observa que a endometriose é marcada por machismo estrutural e avalia que existe uma falta de atualização científica.

Ela também denuncia práticas que considera violentas, como sugerir gravidez ou troca de parceiro como “tratamento”. Além disso, muitas pacientes são orientadas a “esperar a menopausa”, o que pode significar décadas de sofrimento.

“Esperar a menopausa para ver se melhora é um absurdo. A mulher não tem que pausar a vida dela por causa da falta de tratamento adequado”.

A dificuldade do diagnóstico tardio

O diagnóstico da endometriose pode levar, em média, 7 a 10 anos após o início dos sintomas. Caroline relata casos ainda mais extremos:

“Tenho seguidoras que demoraram 40 anos para receber o diagnóstico. Algumas só descobriram depois da menopausa”.

Os sintomas muitas vezes começam ainda na infância, com dores abdominais, nas pernas e na lombar.

“Eu tinha dores desde criança. Quando menstruei aos 13 anos, a dor foi absurda. Minhas pernas paralisaram”.

Endometriose, dor crônica e saúde mental

A dor crônica é o principal sintoma da endometriose e não se limita ao período menstrual.

“Dor crônica é o principal sintoma da endometriose e não acontece necessariamente no período menstrual. Vem acompanhada de alterações de sono e humor”, explica a médica Dra. Beatriz Jacob Milani, que também é paciente da condição.

Cannabis e endometriose: “Quando o CBD entrou na minha vida, tudo mudou”

A história da Dra. Beatriz Jacob Milani mostra como a Cannabis medicinal pode ser uma aliada no controle da dor da endometriose. Após anos de sofrimento, ela encontrou no Canabidiol (CBD) uma alternativa terapêutica eficaz.

“O tratamento com CBD entrou na minha vida porque, após o diagnóstico, eu tentei todas as alternativas para a dor. Quando o canabidiol entrou na minha vida, mudou tudo — tanto como paciente quanto como prescritora. Foi aí que fui estudar a Cannabis para dor crônica. E me apaixonei pelo uso no tratamento da endometriose.”

Em apenas dois meses, os resultados foram significativos:

“Em dois meses eu tive meu primeiro ciclo menstrual sem cólica. Foi muito impactante na minha vida. Mas é importante frisar que também mudei meus hábitos de vida.”

Neste sentido, Carol observa que há espaço para o tratamento e apoio qualquer tratamento clínico prescrito por médicos para a endometriose.

O que a ciência diz sobre Cannabis e endometriose

Estudos indicam que o sistema endocanabinoide participa da modulação da dor, inflamação e função imunológica. E estes são três pilares centrais da endometriose.

Pesquisas sugerem que o CBD pode reduzir a hiperalgesia (sensibilidade à dor), possui ação anti-inflamatória, pode ajudar no controle de ansiedade associada à dor crônica e auxilia na regulação do sono.

Além disso, receptores canabinoides (CB1 e CB2) estão presentes no tecido reprodutivo feminino e em áreas envolvidas na percepção da dor pélvica. Embora a Cannabis não trate as lesões da endometriose, ela pode ser uma importante aliada no controle dos sintomas, especialmente da dor crônica.

Leia mais: Cannabis e endometriose: o que mostrou estudo de longo prazo

Impactos da endometriose na vida da mulher

A endometriose é uma das principais causas de dificuldade para engravidar. “É a doença feminina que mais causa infertilidade”, afirma Caroline. “Mas, quando a cirurgia é feita de forma completa, a fertilidade pode ser restaurada em até 50%, dependendo da reserva ovariana”, conta Carol.

Ela própria engravidou por fertilização in vitro (FIV) após enfrentar baixa reserva ovariana.

“Eu tinha 0,1 de reserva ovariana. Fiz FIV com um único óvulo. Hoje tenho minha filha”.

Mais informação, menos romantização da dor

Para Carol, a conscientização sobre a endometriose  precisa ir além da sensibilização.

“Ter dor não é normal. Dor não é frescura. Dor é um sinal de doença”.

Ela defende e trabalha que mulheres sejam ouvidas, investigadas e respeitadas.

Cannabis medicinal como parte do cuidado integral

Embora Carol não tenha usado Cannabis medicinal em seu próprio tratamento, ela destaca que apoia o uso responsável, prescrito por médicos. Ela também relata que mulheres de sua comunidade já utilizaram Cannabis para controle da dor causada pela endometriose.

Cuidar da saúde também é um ato de coragem

A endometriose não é apenas uma doença ginecológica. Ela impacta a vida social, emocional, profissional e afetiva das mulheres.

Reconhecer a dor, buscar diagnóstico e considerar alternativas terapêuticas, como a Cannabis medicinal, faz parte de um cuidado mais humano e integral.

Como reforça a Dra. Beatriz:

“A dor da endometriose é real, complexa e multifatorial. Precisamos de abordagens que respeitem o corpo, a ciência e a individualidade de cada mulher”.

Leia mais:

Agende sua consulta: Se você tem endometriose ou conhece alguém que tenha, saiba que a Cannabis pode ajudar. E se você quiser começar um tratamento com canabinoides de forma legal, o primeiro passo é marcar uma consulta usando a nossa plataforma de agendamentos.

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