A saída do ator Henri Castelli do Big Brother Brasil 26 chamou a atenção do público para um tema complexo e ainda envolvido em desinformação: as crises convulsivas. Durante a prova do líder, o ator sofreu uma convulsão, foi prontamente socorrido pela equipe do programa e levado a um hospital para avaliação médica.
De acordo com a produção do reality, Henri apresentou duas crises convulsivas em um curto intervalo de tempo. Após a primeira, passou por exames e chegou a receber liberação médica para retornar ao programa. No entanto, uma nova convulsão ocorreu, e, por orientação da equipe médica, ele foi novamente hospitalizado e acabou deixando o programa.
O episódio reacendeu o debate público sobre convulsões e levantou uma dúvida comum: crise convulsiva é a mesma coisa que epilepsia?
O que aconteceu com Henri Castelli?
De acordo com a neurologista Ana Carolina Aguilar, com base nas imagens divulgadas, o quadro apresentado pelo ator é compatível com uma crise epiléptica tônico-clônica generalizada, um dos tipos mais conhecidos de convulsão.
Esse tipo de crise é causado por uma descarga elétrica intensa e desorganizada no cérebro, que afeta os dois hemisférios cerebrais. Costuma envolver perda de consciência, rigidez muscular, seguida de movimentos involuntários e repetitivos dos braços e das pernas.
Após o episódio, é comum que a pessoa apresente confusão mental, sonolência e cansaço extremo.
No caso do ator, a neurologista avalia que o episódio provavelmente foi provocado por fatores externos.

Dra. Ana Carolina Aguilar, neurologista CRM: 185590/SP | RQE: 74213
“O episódio provavelmente foi desencadeado por fatores como estresse físico intenso, possivelmente associados à desidratação e à hipoglicemia, em decorrência do jejum prolongado durante a prova de resistência”, afirma Ana Carolina Aguilar.
Situações como esforço físico extremo, privação de sono, estresse emocional, jejum prolongado e alterações metabólicas podem desencadear crises convulsivas mesmo em pessoas que nunca tiveram episódios semelhantes anteriormente.
Convulsão isolada não é epilepsia
Embora o termo “crise epiléptica” seja usado para descrever esse tipo de convulsão, isso não significa automaticamente que a pessoa tenha epilepsia. Essa diferenciação é fundamental para evitar diagnósticos precipitados.
De acordo com a Dra. Ana Carolina Aguilar, quando há um fator desencadeante bem definido, o episódio pode ser considerado isolado.
“O diagnóstico de epilepsia pressupõe a existência de uma predisposição duradoura do cérebro para gerar crises epilépticas, o que ocorre na presença de crises recorrentes ou de um risco elevado de recorrência”, destaca a especialista.
Esse risco aumentado pode estar presente, por exemplo, em pessoas com lesões cerebrais estruturais, histórico de AVC, tumores, infecções do sistema nervoso ou doenças neurológicas específicas. Em muitos casos, no entanto, não é possível identificar a causa exata da epilepsia.
Como a epilepsia é tratada hoje
O tratamento da epilepsia varia de acordo com o tipo de crise, a idade do paciente, a causa da doença e a presença de outras condições de saúde. O tratamento é feito geralmente com medicamentos antiepilépticos, que ajudam a regular a atividade elétrica do cérebro.
O principal objetivo do tratamento é reduzir ou eliminar as crises, permitindo que o paciente tenha segurança, autonomia e qualidade de vida. Em casos mais complexos, pode ser necessário combinar diferentes estratégias terapêuticas.
O papel dos medicamentos à base de Cannabis no tratamento

Nos últimos anos, os medicamentos à base de Cannabis passaram a ocupar um papel importante no tratamento de alguns tipos de epilepsia, especialmente quando os medicamentos convencionais não são suficientes.
Segundo a neurologista, o principal destaque é o canabidiol (CBD), um composto da Cannabis que não provoca efeitos psicoativos.
“Medicamentos à base de cannabis, especialmente o CBD, têm um papel bem estabelecido no tratamento de epilepsias farmacorresistentes particularmente em síndromes específicas como Dravet, Lennox–Gastaut e esclerose tuberosa, nas quais o controle das crises frequentemente requer a combinação de diferentes fármacos antiepilépticos.”, afirma.
O CBD atua reduzindo a excitabilidade dos neurônios, além de ter efeitos anti-inflamatórios e neuroprotetores, o que contribui para a diminuição da frequência e da intensidade das crises.
A imrpotância do acompanhamento médico
Casos como o de Henri Castelli reforçam a importância de agir rapidamente. Diante de qualquer crise convulsiva ou epiléptica, é fundamental acionar o serviço de atendimento médico de urgência, especialmente se o episódio durar muitos minutos ou se repetir.
Além disso, tanto o tratamento da epilepsia quanto o uso de medicamentos à base de Cannabis devem ser sempre ter acompanhamento médico. O cuidado profissional é essencial para garantir segurança, eficácia e qualidade de vida ao paciente.
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