Uma revisão sistemática sugere que o canabidiol (CBD) pode reduzir algumas medidas de pressão arterial, sobretudo durante situações de estresse.
Os estudos incluíram 120 adultos saudáveis ou com hipertensão e avaliaram doses orais de 225 a 600 mg de CBD por dia. Em todos os ensaios, houve alguma redução significativa da pressão sistólica em comparação com o placebo.
Apesar dos resultados promissores, eles não permitem afirmar que o canabinoide substitui os tratamentos convencionais para a hipertensão. Pesquisas com mais participantes e períodos de acompanhamento mais longos são necessárias para confirmar os achados.
Quatro estudos e três medidas de pressão
Os pesquisadores buscaram ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo que avaliassem os efeitos do CBD oral sobre a pressão arterial.
Após a análise de mais de 3 mil registros, quatro estudos atenderam aos critérios da revisão. Juntos, eles reuniram 120 participantes.
As pesquisas avaliaram três indicadores:
- • Pressão sistólica: o número mais alto da medição, registrado quando o coração bombeia o sangue;
- • Pressão diastólica: o número mais baixo, registrado quando o coração relaxa entre os batimentos;
- • Pressão arterial média: cálculo que representa a pressão necessária para manter o fluxo de sangue aos órgãos.
Todos os quatro estudos observaram redução da pressão sistólica. Dois também relataram diminuição da pressão diastólica.
Entre os resultados observados estavam uma redução aproximada de 6 mmHg na pressão sistólica em repouso após uma dose única de 600 mg de CBD.
Nos participantes com hipertensão, as quedas da pressão sistólica ficaram próximas de 4 a 5 mmHg.
O efeito do CBD foi mais evidente sob estresse
O resultado que mais se destacou não foi apenas a redução da pressão, mas também a menor elevação provocada pelo estresse.
Em dois ensaios com voluntários saudáveis, os participantes realizaram testes que ativam o sistema nervoso simpático. Esse sistema prepara o organismo para reagir a ameaças ou desafios.
Nessas situações, o coração pode bater mais rápido, os vasos sanguíneos podem se contrair e a pressão arterial tende a subir.
Após uma dose de 600 mg de CBD, o aumento da pressão sistólica durante os testes foi de aproximadamente 5 a 6 mmHg menor.
Em um dos estudos, o efeito durante situações de estresse ainda esteve presente após sete dias de uso.
Nesse contexto, os autores destacaram que reduções próximas ou superiores a 5 mmHg na pressão sistólica podem ter relevância clínica.

Como o CBD poderia afetar a pressão arterial
O trabalho avaliou possíveis mecanismos para explicar a relação entre CBD e pressão arterial.
Os pesquisadores mencionam a interação do canabidiol com o sistema endocanabinoide como um dos possíveis mecanismos envolvidos no controle da pressão arterial.
Também citam a modulação de receptores de serotonina e as propriedades anti-inflamatórias do canabinoide.
O CBD pode interagir com medicamentos para pressão?
Análises anteriores mostraram que o CBD oral pode interferir na atividade do sistema CYP450, conjunto de enzimas que participa do metabolismo de diferentes medicamentos no fígado.
Quando essas enzimas são inibidas, alguns medicamentos podem permanecer em concentrações maiores ou menores no organismo. Isso pode modificar seus efeitos e aumentar o risco de reações adversas.
A revisão recomenda atenção especial às possíveis interações com:
- • Betabloqueadores;
- • Bloqueadores dos canais de cálcio;
- • Anticoagulantes.
Ainda não existem dados suficientes para prever como o CBD interage com medicamentos utilizados no tratamento de condições cardiovasculares.
Por isso, pacientes que usam canabidiol e medicamentos para pressão devem informar os profissionais de saúde responsáveis pelo acompanhamento.
CBD foi bem tolerado
O canabidiol foi geralmente bem tolerado durante os períodos avaliados. Nenhum efeito colateral grave nem evento cardiovascular grave foi registrado.
Os efeitos relatados foram, em sua maioria, leves. Entre eles estavam diarreia, náusea, dor de cabeça, sonolência, insônia e redução do apetite.
Por que são necessários estudos maiores
Os pesquisadores defendem ensaios clínicos maiores, com doses e produtos padronizados.
Os próximos estudos também poderiam acompanhar os pacientes por períodos mais longos e incluir diferentes tipos de hipertensão.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis mediante prescrição médica. Portanto, para utilizar esses produtos no tratamento, é necessário buscar orientação profissional.
Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de terapia.
O acompanhamento médico continua sendo uma etapa fundamental para garantir a segurança e a eficácia do tratamento com canabinoides.