A poluição é hoje reconhecida como um dos principais fatores de envelhecimento precoce da pele. A exposição diária a partículas suspensas no ar, comuns em grandes centros urbanos, provoca inflamação crônica, estresse oxidativo, degradação do colágeno e comprometimento da barreira cutânea.
Nos últimos anos, cientistas passaram a investigar estratégias para minimizar esses danos. Na Tailândia, um grupo de pesquisadores voltou sua atenção para o canabidiol (CBD), composto da Cannabis conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.
Embora o CBD já tivesse mostrado efeitos positivos em estudos anteriores, ainda não estava claro se ele poderia proteger a pele humana contra danos causados pela poluição em um modelo experimental mais próximo da realidade. Nesse sentido, o estudo, publicado na revista científica Biomolecules, investigou se o canabinoide poderia atuar na prevenção desses danos.
CBD: do tratamento de doenças ao cuidado diário da pele
Estudos anteriores já observaram benefícios do CBD na dermatologia, especialmente como alternativa ao tratamento de condições como:
Agora, cresce o interesse no uso do composto como ingrediente em dermocosméticos e nutracêuticos.
Dermocosméticos são produtos tópicos, como cremes e séruns, que vão além da função estética e contêm ativos com comprovação científica para tratar ou prevenir alterações na pele.
Já os nutracêuticos são suplementos ingeridos por via oral que contêm substâncias bioativas com potencial benefício à saúde. No contexto dermatológico, eles podem contribuir para melhorar hidratação, firmeza e resistência da pele a fatores externos, como a poluição.
Um modelo mais próximo da vida real
Os cientistas utilizaram um modelo experimental considerado mais realista do que testes feitos apenas com células. Foram analisados fragmentos de pele humana obtidos a partir de cirurgias plásticas.
Para simular os efeitos da poluição, os cientistas aplicaram na superfície desses fragmentos uma poeira urbana padronizada, rica em material particulado (partículas microscópicas presentes na poluição do ar).
Em seguida, o CBD foi adicionado ao meio que nutre a pele no laboratório, simulando uma exposição sistêmica, semelhante ao que ocorreria com o uso de nutracêuticos. Os pesquisadores avaliaram marcadores biológicos relacionados a:
- • Inflamação;
- • Degradação do colágeno;
- • Produção de radicais livres;
- • Danos oxidativos ao DNA;
- • Filagrina (proteína essencial para a barreira cutânea);
- • Fibrilina e colágeno (fundamentais para a firmeza e elasticidade).

O que a poluição faz com a pele e a resposta com CBD
A exposição à poeira urbana provocou os efeitos esperados:
- • Aumento da inflamação;
- • Elevação de radicais livres;
- • Intensificação dos danos oxidativos ao DNA;
- • Redução do colágeno e de proteínas estruturais;
- • Comprometimento da barreira cutânea.
Quando o CBD foi administrado, o cenário mudou. O composto da Cannabis ajudou a:
- • Reduzir os marcadores inflamatórios;
- • Diminuir os níveis de radicais livres;
- • Atenuar os danos ao DNA;
- • Restaurar proteínas estruturais;
- • Recuperar níveis de filagrina, fortalecendo a barreira da pele.
Os autores destacaram que o CBD não alterou a pele saudável que não estava sob estresse ambiental, sugerindo uma possível ação reguladora do composto.
De acordo com os pesquisadores, o canabidiol pode atuar tanto na redução da inflamação quanto na preservação da estrutura física da pele, dois fatores importantes para atenuar os impactos da poluição.
“Este estudo fornece evidências convincentes de que o CBD protege contra danos à pele induzidos pela poluição, modulando vias inflamatórias, oxidativas e de estresse por xenobióticos. Além da modulação bioquímica, o CBD restaurou a integridade da matriz extracelular e da barreira cutânea, reforçando seu potencial como ingrediente funcional para promover a saúde da pele em ambientes urbanos.”
Os autores ressaltam, no entanto, que o modelo utilizado é laboratorial e que ensaios clínicos em humanos ainda são necessários para confirmar os efeitos observados.
Uso seguro de produtos dermatológicos à base de Cannabis
À medida que a poluição urbana se intensifica nos grandes centros urbanos, cresce também o desafio para a saúde, inclusive para a pele. Trabalhos como o conduzido pelos cientistas tailandeses ampliam o debate sobre novas estratégias de proteção cutânea, principalmente em cidades onde a exposição diária a poluentes é inevitável.
No Brasil, produtos dermatológicos à base de Cannabis podem ser utilizados mediante prescrição médica. A regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos com canabinoides com recomendação profissional.
Portanto, para incluir derivados da Cannabis na sua rotina de cuidados, busque orientação especializada. Na nossa plataforma de agendamento, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes na prescrição de canabinoides. Uma avaliação individualizada é fundamental para a eficácia e a segurança do tratamento.













