Pesquisadores brasileiros descreveram em um relato clínico a melhora de um gato com gengivoestomatite após o uso de medicamento à base de Cannabis rico em canabidiol (CBD). Segundo o relato de caso, o animal apresentou melhora no apetite já no primeiro dia de tratamento, além de redução da inflamação oral ao longo das semanas.
Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) investigaram o uso de um óleo de rico em CBD.
O paciente era um gato macho de 5 anos diagnosticado com gengivoestomatite crônica, uma doença oral inflamatória considerada dolorosa e difícil de tratar.
O que é a gengivoestomatite felina
A gengivoestomatite felina é uma condição crônica que afeta a mucosa oral. Ela provoca inflamação intensa, úlceras e dor na boca dos animais.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- • Dificuldade para comer;
- • Salivação excessiva;
- • Mau hálito;
- • Perda de peso;
- • Irritabilidade;
- • Redução da atividade;
- • Dificuldade de higiene.
Em muitos casos, a doença compromete a qualidade de vida dos animais.

Gato também tinha FIV e FeLV
O gato tratado pelos pesquisadores era positivo para FIV (vírus da imunodeficiência felina) e FeLV (vírus da leucemia felina). Essas doenças enfraquecem o sistema imunológico e costumam estar associadas a quadros mais graves de gengivoestomatite.
O animal havia realizado extração parcial dos dentes cerca de um mês antes do início do tratamento com medicamentos à base de Cannabis.
Mesmo após o procedimento, ele continuava apresentando:
- • Redução do apetite;
- • Salivação excessiva;
- • Mau hálito;
- • Inflamação oral;
- • Múltiplas úlceras na boca.
De acordo com os autores, essa condição pode continuar ativa mesmo após procedimentos odontológicos, dificultando o manejo.
Melhora já no primeiro dia
Os veterinários utilizaram um medicamento oral à base de Cannabis com formulação rica em CBD.
A dose inicial foi de 1 mg/kg, duas vezes ao dia. O tutor relatou que o gato voltou a comer bem logo no primeiro dia de tratamento.
Após uma semana, os pesquisadores também observaram melhora da inflamação oral e redução das úlceras.
No entanto, o animal apresentou sonolência, considerada um efeito relacionado ao CBD. Por isso, a dose foi reduzida temporariamente para 0,5 mg/kg.
Com a redução da dose, a sonolência diminuiu, mas a melhora clínica também. Após novo ajuste para 1 mg/kg, os veterinários relataram melhora do aspecto geral da boca.
Ganho de peso e redução das lesões
Ao longo do acompanhamento, os pesquisadores relataram:
- • Melhora do apetite;
- • Redução da inflamação oral;
- • Diminuição das lesões;
- • Melhora do aspecto da mucosa;
- • Ganho de peso.
Após cerca de sete semanas de acompanhamento, o gato morreu devido a complicações associadas a uma massa mediastinal. Os pesquisadores planejavam o uso de uma nova formulação do produto.
Como o CBD pode atuar na gengivoestomatite
Os pesquisadores mencionaram estudos anteriores que sugerem que o CBD pode atuar de diferentes formas em doenças inflamatórias orais em gatos.
Segundo os autores, o canabidiol possui potencial como:
- • Anti-inflamatório;
- • Analgésico;
- • Imunomodulador;
- • Antioxidante.
O relato reforça o interesse científico no uso do CBD como terapia complementar em doenças inflamatórias em felinos.
Os autores defendem estudos clínicos controlados com maior número de animais para avaliar eficácia, segurança, os efeitos em longo prazo e diferentes combinações de canabinoides.
Cannabis na veterinária avança no Brasil
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza médicos veterinários a prescreverem medicamentos à base de Cannabis para animais. Essa nova possibilidade abriu caminho para o tratamento de diferentes condições de saúde em animais domésticos, silvestres e de produção.
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Já para os profissionais que desejam se aprofundar no tema, a Vigo Academy lançou o Curso de Prescrição de Cannabis medicinal para Veterinários.