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Cannabis medicinal estreia oficialmente nos Jogos Olímpicos de Tóquio

Medicamentos com canabidiol agora são permitidos aos atletas profissionais, mas ainda há restrições. Saiba mais

Pela primeira vez na história, os atletas participantes dos Jogos Olímpicos poderão se beneficiar das propriedades da Cannabis medicinal de maneira legal, regulamentada pela Agência Mundial Antidopagem (WADA).

No ano de 2018, o órgão responsável pela regulamentação das substâncias permitidas aos atletas retirou o canabidiol (CBD) da lista de substâncias proibidas.

Agora, medicamentos contendo canabidiol podem ser receitados para o controle da dor e auxiliar na recuperação dos atletas profissionais.

Olimpíadas e doping por Cannabis

Não faz muito tempo que os canabinoides entraram para a lista de substâncias permitidas no esporte. Em 1999, após uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, realizada em Nagano, no Japão, o medalhista de ouro no snowboard, o canadense Ross Rebagliati, foi pego no exame antidoping, positivo para THC.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) não titubeou e o desclassificou, retirando sua medalha de ouro. Entretanto, apesar da Cannabis já ser há muito tempo criminalizada internacionalmente, por não proporcionar benefício direto ao atleta (doping), o THC não aparecia na lista de substâncias proibidas. O atleta apelou da decisão, e obteve sua medalha de volta.

Nessa época, a Agência Mundial Antidopagem nem existia, só seria fundada em novembro do ano seguinte. Desde o início, os canabinoides – inclusive o CBD – figuram uma categoria exclusiva entre as quatro classes de substâncias proibidas – estimulantes, narcóticos e glicocorticoides (esteroides), além dos canabinoides.

Desde então, caso o teste apresentasse uma concentração de tetrahidrocanabinol (THC) de 15 nanogramas por mililitro, é considerado doping. O valor é extremamente baixo, apenas 2,8 ng/ml a menos que o encontrado no exame de Rebagliati. Em sua defesa, o atleta afirmou que não consumia Cannabis há dez meses e que só haviam fumado perto dele.

Regras do doping

Em 2003, Giba, um dos principais jogadores da história do vôlei brasileiro, testou positivo para THC. Na época, porém, o código mundial da WADA, que determina as punições, não tinha sido estabelecido e o atleta foi punido com apenas três meses de suspensão.

Com mais evidências do uso da Cannabis para fins medicinais, em 2013, a WADA mudou as regras. Alterou o limite para um teste de THC positivo de 15 ng / ml para 150 ng / ml. Na prática, possibilitaram o uso dos canabinoides durante treinamentos e intervalos das competições, mas não durante as disputas.

Dois anos depois, a WADA caminhou na direção contrária, ao endurecer as punições de atletas pegos no doping, com suspensão de até quatro anos. A Cannabis seguia equiparada às substâncias que proporcionam vantagem competitiva, como esteroides.

Um novo começo para a Cannabis

Isso começou a mudar em 2018, quando, junto à decisão de retirar o canabidiol da lista de substâncias proibidas, decidiu abrandar as punições para quem apresentar positivo para substâncias que não promovem vantagem competitiva, como o THC. Agora, os atletas serão punidos com apenas um mês de suspensão, desde que aceitem tratamento.

Entretanto, essa nova regra começou a valer somente no início deste ano, quando se iniciou um novo ciclo olímpico – devido à pandemia, os Jogos Olímpicos de Verão de 2020, que serão realizados em Tóquio, no Japão, acontecerão entre julho e agosto de 2021.

O THC, porém, segue na lista da WADA como substância proibida. A medicina já demonstrou que o tetrahidrocanabinol também possui efeitos terapêuticos, além de potencializar os efeitos benéficos do canabidiol, com o chamado efeito comitiva.

Olimpíadas em Tóquio

Os atletas que vão disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio só poderão contar com medicamentos exclusivamente com o Canabidiol – CBD, um dos muitos canabinoides da planta.

Ou seja, somente muito bem controlados os medicamentos com Cannabis poderão ser utilizados pelos atletas enquanto estiverem disputando os Jogos Olímpicos, em Tóquio. Do contrário, a história pode ser muito mais dura que a de Ross Rebagliati.

O atleta canadense chegou a parar em uma cadeia japonesa durante o imbróglio que durou 36 horas, até que conseguiu se provar inocente. Do contrário, assim como qualquer atleta que este ano vai ao Japão para a disputa, corria o risco de ser condenado a até cinco anos de prisão por simplesmente consumir Cannabis.

Ao retornar ao seu país, Ross Rebagliati ainda foi discriminado, perdeu seus patrocínios, e abandonou a carreira. Seu caso, porém, o fez entrar em contato com outros atletas que também apostaram na Cannabis como tratamento para as dores resultantes da rotina desgastante de treinos e competições.

“O poderoso estigma da erva daninha cercou Ross e o empurrou ainda mais no caminho de defender a bênção altamente incompreendida e profundamente potente que a humanidade recebeu”, diz o site da Ross-Gold, sua empresa de Cannabis medicinal. 

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Redação Cannabis & Saúde

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