Um estudo apresentado no congresso anual da Sociedade Internacional para o Estudo da Saúde Feminina (ISSWSH) analisou o uso de canabinoides para aliviar a dismenorreia primária.
Os pesquisadores norte-americanos avaliaram um produto intravaginal com canabidiol (CBD) e ácido canabidiólico (CBDA) em 48 mulheres, entre 21 e 35 anos, com histórico de dismenorreia primária.
O produto foi utilizado 1 a 2 vezes por dia, desde o início da dor, ao longo do período menstrual.
Os resultados mostraram:
- • 81% das participantes diminuíram o uso de analgésicos
- • Na média, a dor caiu de 6,38 para 3,54 (redução de 44%)
- • Em um grupo com dor mais leve/moderada, a redução chegou a 68%
- • O tratamento foi bem tolerado, sem efeitos colaterais graves
Além disso, testes em laboratório indicaram que os compostos reduziram as contrações do útero. Nesse sentido, o CBDA se mostrou mais potente que o CBD.
O que é dismenorreia primária e por que dói
A dismenorreia primária é a dor menstrual que ocorre sem uma doença ginecológica associada. Ela é causada principalmente por contrações intensas do útero.
É uma condição comum e pode prejudicar a qualidade de vida. Em alguns casos, leva a afastamentos nas atividades diárias, no trabalho ou nos estudos.
Atualmente, o tratamento costuma envolver analgésicos e anti-inflamatórios, que nem sempre funcionam para todas as pessoas ou podem causar efeitos colaterais.
Por isso, os resultados chamam a atenção ao sugerir que compostos da Cannabis, como CBD e CBDA, podem:
- • Atuar diretamente na origem da dor
- • Reduzir a necessidade de medicamentos convencionais
- • Oferecer uma alternativa de tratamento

Como os canabinoides podem agir na dor menstrual
A dor na dismenorreia primária está associada ao aumento de prostaglandinas. Essas substâncias provocam contrações intensas no útero e reduzem o fluxo sanguíneo, gerando dor.
O estudo combinou duas formas de análise:
Modelo experimental
Em laboratório, os pesquisadores utilizaram tecido uterino de animais para avaliar o efeito dos canabinoides.
O CBD e o CBDA reduziram a frequência e a intensidade das contrações espontâneas. O efeito variou conforme a dose e o CBDA se mostrou mais potente na redução da intensidade das contrações.
Estudo clínico
As participantes utilizaram o produto intravaginal contendo 25 mg de CBDA + 75 mg de CBD. De acordo com os dados, os efeitos podem estar ligados a:
- • Relaxamento do músculo uterino (miométrio)
- • Ação direta sobre as prostaglandinas, reduzindo a intensidade das contrações
Esses mecanismos ajudam a explicar a diminuição da dor relatada.
Uma nova forma de tratamento para dismenorreia primária

Os resultados indicam que os canabinoides podem representar uma nova forma de tratamento para a dismenorreia primária, com algumas características, como:
- • Uso de canabinoides por via intravaginal, ainda pouco explorada
- • Aplicação direta no local da dor
- • Potencial redução do uso de analgésicos orais
Apesar dos resultados promissores, os autores destacam a necessidade de mais estudos. São necessários ensaios clínicos maiores, comparações com tratamentos convencionais e avaliações de longo prazo.
Como funciona o acesso no Brasil
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica. No entanto, os produtos disponíveis nas drogarias brasileiras são restritos ao uso oral e nasal, conforme a regulamentação em vigor. Assim, pacientes que desejarem outras formas de uso precisam optar pela importação direta.
Em todos os casos, a orientação médica é essencial para iniciar o tratamento com segurança e respeitando as respostas individuais.
Então, se você ou alguém próximo tem interesse nesse tipo de terapia, busque orientação profissional. Na plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes na prescrição de canabinoides.