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Estudo investiga uso de Cannabis no combate a doença que ameaça abelhas

Estudo investiga uso de Cannabis no combate a doença que ameaça abelhas

Extratos de Cannabis mostraram potencial antimicrobiano contra nosemose, doença que afeta a saúde das abelhas e das colmeias

Publicado em

6 de fevereiro de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Estudo investiga uso de Cannabis no combate a doença que ameaça abelhas

As abelhas têm um papel essencial na polinização de grande parte das plantas cultivadas e silvestres, garantindo a produção de alimentos como frutas, legumes, sementes e grãos. Apesar dessa importância, as populações desses polinizadores vêm diminuindo em várias partes do mundo. Entre as principais ameaças estão o uso intensivo de agrotóxicos, as mudanças climáticas e as infecções causadas por parasitas e microrganismos.

Um desses problemas é a infecção pelo fungo Nosema ceranae, também conhecida como nosemose, uma doença que afeta o sistema digestivo das abelhas e pode comprometer toda a colmeia. Um estudo recente explorou o uso de extratos de Cannabis como possível estratégia de controle da nosemose, abrindo novas possibilidades para o manejo da saúde das colmeias e uma criação de abelhas mais sustentável.

Um inimigo invisível nas colmeias: o que é a nosemose

A nosemose é uma infecção causada pelo microsporídio Nosema ceranae, um parasita microscópico que se instala no intestino das abelhas. A doença prejudica a digestão e a absorção de nutrientes, deixando os insetos mais fracos, desorientados e com menor expectativa de vida.

Em nível individual, abelhas infectadas tendem a viver menos e a realizar menos atividades essenciais, como a coleta de néctar e pólen. Já para a colmeia, a infecção pode diminuir a população, afetar a produção de mel e, em casos mais graves, levar ao colapso da colônia.

Atualmente, um dos tratamentos mais utilizados contra a nosemose é a fumagilina, um antibiótico que pode deixar resíduos no mel e gerar preocupações ambientais e regulatórias. Por isso, cresce o interesse por alternativas naturais e menos agressivas, como os derivados da Cannabis.

Alternativas naturais para a apicultura

O estudo Impact of Cannabis sativa (L.) inflorescences on the control of artificial Nosema ceranae infection in honey bees Apis mellifera ligustica analisou o potencial antimicrobiano de extratos de duas variedades distintas de Cannabis como possíveis tratamentos contra Nosema ceranae.

A proposta dos pesquisadores foi avaliar se compostos presentes da Cannabis poderiam reduzir a carga do parasita nas abelhas, oferecendo uma alternativa aos produtos químicos convencionais e diminuindo o risco de resíduos no mel e no ambiente.

Como os extratos de Cannabis foram testados nas abelhas

Os cientistas testaram dois extratos de Cannabis:

  • • Um com alto teor de ácido canabidiólico (CBDA);
  • • Outro com predominância de ácido tetraidrocanabinólico (THCA).

As inflorescências dessas plantas foram moídas e incorporadas em balas de açúcar, que serviram como alimento para abelhas infectadas artificialmente com Nosema ceranae. As formulações continham três concentrações diferentes: 1%, 2% e 4% em peso.

Essa via de administração permitiu que as abelhas ingerissem diretamente os compostos dos extratos de Cannabis, simulando uma possível aplicação prática em colmeias comerciais.

Menos parasitas

Os resultados mostraram que todos os grupos tratados com Cannabis apresentaram redução na quantidade de esporos de Nosema ceranae em comparação ao grupo controle, indicando que os extratos possuem propriedades antimicrobianas capazes de limitar a infecção.

Quando comparadas ao tratamento com fumagilina, as abelhas que receberam Cannabis, especialmente nas concentrações de 1% e 2%, apresentaram maior sobrevivência do que aquelas tratadas com o antibiótico convencional.

Os pesquisadores também notaram diferenças no consumo de água e alimento. Algumas formulações levaram a um aumento na ingestão, o que pode indicar alterações no metabolismo ou no comportamento alimentar das abelhas.

As respostas que ainda faltam

Embora promissores, os resultados são preliminares. A pesquisa sugere que compostos da Cannabis têm potencial para reduzir infecções por Nosema ceranae, um dos principais desafios sanitários enfrentados pelas abelhas atualmente.

Ao mesmo tempo, ainda é necessário ajustar doses, formulações e métodos de aplicação antes de qualquer uso prático. Nesse sentido, novos estudos serão fundamentais para entender melhor os impactos da Cannabis na fisiologia das abelhas.

Preservar as abelhas é preservar a vida

Preservar as abelhas significa garantir a segurança alimentar, a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas. Diante das múltiplas ameaças que esses polinizadores enfrentam, pesquisas que investigam alternativas naturais e menos poluentes ganham cada vez mais relevância. A Cannabis pode se tornar mais uma aliada na luta pela sobrevivência das abelhas, desde que o uso seja cuidadosamente estudado e aplicado com responsabilidade científica.

Os compostos da Cannabis vêm se destacando também para tratar a saúde humana, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza a prescrição de canabinoides por médicos. Se você deseja iniciar esse tipo de tratamento, busque orientação profissional. Na nossa plataforma de agendamento, você pode marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com especialistas experientes. Então, acesse já e dê o primeiro passo de forma segura e responsável

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