Durante muitos anos, os compostos da Cannabis foram associados quase exclusivamente à saúde humana. Mais recentemente, porém, estudos científicos passaram a mostrar que essas substâncias também podem beneficiar a saúde animal, especialmente no cuidado com animais domésticos, como cães e gatos.
Agora, novas pesquisas ampliam essas possibilidades. Evidências científicas indicam que os canabinoides, em especial o canabidiol (CBD), podem ir além do consultório veterinário e beneficiar também profissionais que atuam com animais de produção, como aves, suínos e bovinos.
Os animais de produção são criados com objetivos como obtenção de carne, leite, ovos ou derivados. Nesse contexto, cresce a busca por alternativas ao uso de antibióticos, e é justamente aí que um estudo sobre o CBD chama atenção, com resultados que geram boas expectativas.
CBD no gansaral
A pesquisa, publicada no Italian Journal of Animal Science, foi realizada com gansos da raça Landes, originária da França. Essa raça é tradicionalmente associada à produção de foie gras, iguaria da culinária francesa feita a partir do fígado do animal.
Além disso, o ganso de Landes também é reconhecido pela qualidade de sua carne, considerada nutritiva, rica em proteínas e com baixo teor de gordura.
Embora seja uma raça mundialmente conhecida pela produção de foie gras, o objetivo do estudo não foi o produto gastronômico valorizado na culinária francesa, mas sim avaliar como o canabidiol influencia o crescimento, a qualidade da carne e a saúde metabólica dos gansos.
Por que estudar canabidiol em gansos de produção
Por décadas, os antibióticos foram amplamente utilizados na produção animal para prevenir doenças e acelerar o crescimento. Com o avanço do conhecimento científico, no entanto, essa prática passou a ser questionada, principalmente devido ao risco de resistência bacteriana, à presença de resíduos nos alimentos e impactos ambientais.
No experimento, 360 gansos foram acompanhados por 56 dias e divididos em grupos que receberam:
- • ração padrão,
- • ração com antibiótico (clortetraciclina),
- • ou ração suplementada com CBD em diferentes concentrações (50, 100 ou 200 mg/kg)
Ao final do estudo, os pesquisadores avaliaram indicadores como crescimento, eficiência alimentar, rendimento de carne, qualidade do produto final e parâmetros de saúde.

Maior produtividade e carne mais apetitosa
Um dos resultados mais relevantes foi a melhora da conversão alimentar, indicador que mostra quanta ração o animal precisa consumir para ganhar peso. Os gansos que receberam canabidiol, especialmente na maior dose, apresentaram melhor aproveitamento dos alimentos, ganhando mais peso com a mesma quantidade de ração.
Além disso, os animais suplementados com CBD apresentaram:
- • Maior ganho de peso diário;
- • Maior peso final;
- • Aumento da proporção de carne magra, especialmente na região do peito.
Para os autores, esses efeitos estariam ligados à redução do estresse oxidativo. Durante o crescimento, o organismo produz moléculas instáveis conhecidas como radicais livres. Quando presentes em excesso, essas moléculas danificam células e prejudicam o metabolismo.
Nesse sentido, o CBD atuaria como um agente antioxidante, ajudando o organismo a neutralizar essas moléculas e a funcionar de forma mais eficiente.
Então, com a redução do estresse oxidativo, os nutrientes seriam melhor aproveitados favorecendo o crescimento muscular e a saúde geral do animal.
Relação dose-dependente
Além do impacto no crescimento, o estudo também identificou melhorias na qualidade da carne, como alterações positivas na coloração e no pH muscular, fatores importantes para a conservação do alimento e aceitação pelo consumidor.
De acordo com os autores, os efeitos foram mais expressivos na dose mais alta de CBD, o que sugere uma relação dose-dependente, com o canabidiol superando inclusive os resultados observados no grupo tratado com o antibiótico convencional.
“Nas condições experimentais deste estudo, o nível ideal de suplementação de CBD na ração foi determinado como sendo de 200 mg/kg. Esta dosagem demonstrou eficácia superior ao grupo tratado com antibiótico em termos de melhoria do desempenho produtivo, da qualidade da carne e da capacidade antioxidante.”
Outro ponto importante destacado pelos cientistas é que o uso do canabidiol não causou efeitos adversos nos exames sanguíneos, no desenvolvimento muscular ou na estrutura do intestino dos gansos, indicando segurança dentro das doses testadas.
Esses resultados reforçam o potencial do CBD como uma alternativa ou suplemento aos antibióticos na produção, abrindo caminho para sistemas produtivos mais sustentáveis e alinhados ao bem-estar animal.
Uso seguro de derivados da Cannabis
No Brasil, a produção de foie gras é proibida por uma legislação que veta a comercialização de produtos obtidos por alimentação forçada de animais. Ainda assim, os resultados vão além dessa aplicação específica nos gansos de Landes.
Outras criações de animais destinados à produção de carne, ovos e outros alimentos têm potencial para se beneficiar de modelos mais produtivos e menos dependentes de antibióticos.
À medida que a ciência avança, fica cada vez mais claro que o uso de canabinoides não se limita ao uso terapêutico em humanos. Vale lembrar que o uso de derivados da Cannabis fins medicinais é autorizado há mais de dez anos no Brasil mediante prescrição médica.
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