Nos últimos anos, pesquisadores têm buscado novas estratégias para controlar o biofilme dental e reduzir os danos causados pela periodontite. O biofilme é uma comunidade organizada de microrganismos que se forma nos dentes e gengiva. Quando não é removido de forma adequada, pode desencadear inflamação persistente, infecções recorrentes e, nos casos mais graves, destruição do osso que sustenta os dentes.
Além disso, a inflamação crônica associada à periodontite não se limita à boca. Estudos indicam que ela pode aumentar o risco de condições sistêmicas, como diabetes, infarto, AVC e problemas respiratórios.
Um possível aliado no controle das bactérias associadas à periodontite é o canabidiol (CBD), um composto da Cannabis que vem sendo estudado por seus efeitos terapêuticos, incluindo ações anti-inflamatórias e antimicrobianas. Um estudo publicado no Journal of Oral Microbiology sugere que o CBD pode ser promissor no combate às bactérias e aos biofilmes envolvidos na doença periodontal.
Quando a inflamação sai do controle
A periodontite é uma doença inflamatória crônica que afeta os tecidos de suporte dos dentes, como gengiva, osso alveolar e o ligamento periodontal. Geralmente, ela se desenvolve a partir de uma gengivite não tratada, quando a inflamação deixa de ser superficial e passa a atingir estruturas mais profundas.
O principal fator envolvido na progressão da periodontite é o desequilíbrio do biofilme bacteriano. Nesse contexto, bactérias mais agressivas se tornam predominantes e estimulam uma resposta inflamatória exagerada do organismo. Com o passar do tempo, esse processo leva ao afastamento da gengiva, à exposição da raiz e, em casos avançados, à perda dentária.
Complexos microbianos: quem protege e quem agrava a doença
Os pesquisadores classificam as bactérias orais em grupos chamados complexos microbianos, que ajudam a diferenciar microrganismos associados à saúde daqueles ligados à doença periodontal. Dois desses complexos são centrais nesse processo:
- • Complexo verde: reúne bactérias que costumam conviver de forma equilibrada com o organismo, sem provocar inflamação significativa.
- • Complexo vermelho: concentra as bactérias associadas à periodontite e a quadros mais graves da doença.
De forma geral, quanto maior a presença do complexo vermelho no biofilme subgengival, maior é o risco de progressão e agravamento da periodontite.
Como o canabidiol foi testado contra as bactérias da periodontite
No estudo, os pesquisadores desenvolveram um biofilme subgengival multiespécies, composto por 33 bactérias pertencentes aos complexos verde e vermelho. Esse modelo experimental permitiu simular, de forma controlada, o ambiente encontrado na boca de pacientes com periodontite.
O objetivo foi avaliar se o CBD seria capaz de reduzir a quantidade total de bactérias e, principalmente, atingir os microrganismos do complexo vermelho. Nesse sentido, para comparações mais precisas, o canabidiol foi testado ao lado da clorexidina a 0,12%, considerada padrão-ouro no controle químico do biofilme dental da periodontite, embora seu uso prolongado esteja associado a efeitos colaterais, como alteração no paladar e mancha nos dentes.
Os pesquisadores simularam dois cenários clínicos:
- • CBD desde o início da formação do biofilme: com a aplicação do composto nas fases iniciais, simulando uma abordagem preventiva ou o período após a raspagem periodontal. As concentrações testadas de canabidiol foram 125, 250 e 500 µg/mL.
- • CBD em biofilme já formado: o tratamento começou após 72 horas, quando o biofilme já estava maduro e mais resistente. Nesse caso, os testes tiveram concentrações mais altas: 500 e 1000 µg/mL.

O impacto do CBD no biofilme
Os resultados indicaram que, especialmente nas concentrações mais altas, o CBD apresentou efeitos relevantes sobre o biofilme dental:
- • Redução da quantidade total de bactérias;
- • Diminuição da proporção do complexo vermelho, incluindo espécies como Porphyromonas gingivalis e Tannerella forsythia;
- • Em alguns cenários, aumentou a proporção do complexo verde, associado à saúde bucal.
A clorexidina demonstrou um efeito antimicrobiano mais amplo, reduzindo um número maior de espécies de bactérias. Por outro lado, o CBD demonstrou uma ação mais seletiva, com maior impacto sobre bactérias patogênicas e menor interferência sobre microrganismos associados ao equilíbrio da microbiota oral.
Tratamentos odontológicos com produtos à base de Cannabis
Os autores destacam que o estudo foi realizado in vitro, em um ambiente controlado de laboratório. Portanto, os resultados ainda precisam passar por confirmação em ensaios clínicos em humanos. Mesmo assim, os dados são promissores, pois sugerem que o canabidiol pode atuar como um complemento aos tratamentos convencionais para periodontite, especialmente por sua ação seletiva sobre o complexo vermelho.
Apesar desses resultados, a base da terapia periodontal continua sendo a higiene bucal adequada, limpeza profissional, raspagem e o controle da inflamação, sempre com acompanhamento odontológico.
O mesmo cuidado vale para o uso de produtos à base de Cannabis. Atualmente, já existem produtos odontológicos com canabinoides na composição, como enxaguatórios bucais e géis, disponíveis para os pacientes.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso desse tipo de produto com canabinoides por meio da importação regulamentada pela RDC 660. As regras exigem a prescrição e orientação de um profissional da saúde com registro ativo.
Portanto, se você ou alguém próximo tem interesse em tratar a periodontite ou alguma outra condição de saúde com canabidiol ou outros compostos da Cannabis, acesse a nossa plataforma de agendamento. Lá, você pode marcar uma consulta com profissionais experientes nesse tipo de prescrição. Esse é o primeiro passo para garantir benefícios reais para a sua saúde.














