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Relato clínico sugere potencial do canabidiol no glioblastoma

Relato clínico sugere potencial do canabidiol no glioblastoma

Estudo de caso sugere que uso do canabidiol (CBD) junto ao tratamento convencional pode ter impacto no glioblastoma, tumor cerebral agressivo

Publicado em

29 de abril de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

Relato clínico sugere potencial do canabidiol no glioblastoma

Um relato clínico publicado no Journal of Clinical Images and Medical Case chamou a atenção de médicos e pesquisadores.

O estudo descreve o caso de um paciente com glioblastoma, um dos tumores cerebrais mais agressivos, que viveu por mais de dois anos após o diagnóstico utilizando uma combinação de tratamentos, incluindo o canabidiol (CBD).

Esse tempo de sobrevida representa mais que o dobro do esperado para pacientes com esse tipo de tumor.

Embora seja um caso isolado, os resultados levantam novas hipóteses sobre o potencial do uso dos compostos da Cannabis no tratamento do câncer.

O que é o glioblastoma e por que é tão agressivo

O glioblastoma é o tipo mais agressivo de tumor cerebral em adultos. Ele é difícil de tratar por algumas características:

  • • Cresce muito rápido
  • • Invade áreas importantes do cérebro
  • • Resiste à quimioterapia
  • • Costuma voltar mesmo após tratamento

De acordo com os autores, a sobrevida média dos pacientes é de 12 a 14 meses após o diagnóstico. Quando o tumor retorna, esse tempo pode cair para cerca de 5 a 6 meses.

Os primeiros sinais e o diagnóstico

O estudo acompanhou um homem de 46 anos que procurou atendimento médico após três semanas de sintomas como:

  • • Dor de cabeça persistente
  • • Problemas de memória
  • • Confusão mental
  • • Vômitos

Exames de imagem identificaram um tumor no cérebro. Pouco depois, ele passou por cirurgia para retirada parcial do tumor.

O pós-cirurgia e início do tratamento

Após a cirurgia, o paciente iniciou o tratamento padrão para glioblastoma, que inclui:

  • • Radioterapia
  • • Quimioterapia com temozolomida e lomustina

Junto ao tratamento convencional, os médicos orientaram o uso de CBD em cápsulas. O produto era à base de canabidiol isolado, na dose de 600 mg por dia, divididos em 3 tomadas de 200 mg após as refeições.

Inicialmente, os exames mostraram estabilidade e até redução parcial do tumor.

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Quando o tumor voltou

Cerca de seis meses após a cirurgia, os sintomas voltaram.

Novos exames detectaram o surgimento de um novo tumor, indicando que o câncer havia retornado. Os autores pontuam que esse retorno é comum nesse tipo de câncer.

Nesse cenário, os médicos trocaram o tratamento principal pelo uso de bevacizumabe intravenoso. Esse medicamento age bloqueando a formação de novos vasos sanguíneos que alimentam o tumor.

O CBD foi mantido na mesma dose (600 mg por dia).

Resultados surpreendentes ao longo do tempo

Após a mudança de tratamento:

  • • O paciente permaneceu estável por mais de 25 meses
  • • Não houve progressão significativa do tumor
  • • Exames mostraram leve regressão das lesões
  • • O paciente retomou atividades como dirigir, cuidar da casa e participar da vida social

Efeitos colaterais e ajustes no tratamento

O tratamento foi, em geral, bem tolerado. O principal efeito colateral foi o aumento da pressão arterial após o uso do bevacizumabe.

Um episódio de sangramento do tumor levou à suspensão do medicamento por 3 meses. Durante essa pausa, o CBD foi mantido. O quadro voltou a se estabilizar após a retomada do tratamento intravenoso.

Como o CBD pode atuar no organismo

Os pesquisadores sugerem que os dois tratamentos podem ter atuado juntos, potencializando seus efeitos.

Enquanto o bevacizumabe bloqueia a formação de vasos sanguíneos, o CBD pode agir de várias formas:

  • • Pode reduzir o crescimento de células tumorais
  • • Pode estimular a morte programada de células cancerígenas
  • • Diminui a formação de novos vasos sanguíneos
  • • Pode aumentar substâncias que combatem o tumor (como a ceramida)
  • • Pode causar danos por estresse oxidativo nas células cancerígenas

Além disso, há a hipótese de que o CBD pode ajudar a reduzir a resistência ao bevacizumabe, prolongando sua eficácia.

Uso de medicamentos à base de Cannabis no Brasil

Apesar dos resultados promissores, os próprios autores alertam que se trata de apenas um paciente. Portanto, não é possível afirmar que o mesmo efeito ocorrerá em outros casos e ensaios clínicos maiores são necessários.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis sob prescrição médica, incluindo produtos ricos em CBD.

Ainda não existem evidências suficientes para o uso de canabinoides como tratamento direto contra o câncer.

Por outro lado, já está bem estabelecido que derivados da Cannabis ajudam pacientes com câncer a lidar melhor com os efeitos colaterais, como náuseas, falta de apetite e dores.

Então, se você ou alguém próximo deseja incluir canabinoides na rotina de cuidado, busque orientação profissional. Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de terapia.

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