Projeto Mães Jardineiras reúne mulheres com salvo-conduto para cultivar Cannabis medicinal

Iniciativa conta com 11 mães que possuem autorização judicial para cultivar e extrair o óleo que trata seus filhos; histórias serão compartilhadas em live neste sábado

O projeto Mães Jardineiras foi criado pela Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis (Sbec) e tem o objetivo de fortalecer essa rede de mães que lutam pelo acesso ao tratamento com Cannabis para seus filhos ou parentes. Neste sábado (06), às 18 horas, a Sbec realizará a transmissão online “Live das Madrinhas”, como são chamadas as mulheres que conquistaram na justiça um salvo conduto para o plantio.

O grupo conta com 11 mães amparadas judicialmente. Elas compartilham conhecimento com outras mulheres, que também possuem filhos em tratamento com a planta e buscam o mesmo direito. Uma dessas madrinhas é a enfermeira e pesquisadora Nayara Mazini, mãe de Letícia, de 7 anos. A menina nasceu com Síndrome 1p36, uma condições que causa epilepsia desde 1 mês de vida. Aos 4 anos, a condição evoluiu para Síndrome de Lenox Gastaut, uma epilepsia refratária de difícil controle.

Em fevereiro de 2019, Nayara conquistou um Habeas Corpus para o auto cultivo, ou seja, o direito de plantar e produzir a medicação de Letícia. O documento foi duplo e se estendeu à amiga Cláudia Marin, mãe do Mateus, que também sofre de epilepsia. Elas moram em Marília, no interior paulista.

Cláudia, Nayara e os filhos Mateus e Letícia: cultivo autorizado para tratar as crianças

Nayara conta que, com o tratamento, a Letícia apresentou uma grande melhora na imunidade e passou a ter uma vida com rotinas de criança, com brincadeiras, passeios e escola.

“Nunca mais eu precisei dar antibiótico pra Letícia. Eu voltei a trabalhar, a estudar, estou fazendo mestrado. Então teve uma transformação na vida dela e na minha também, aliás na vida de toda família”, comemora.

No entanto, a Nayara passou por muitas dificuldades para ter acesso à Cannabis medicinal. Ela fazia uso da medicação importada, fornecida através de autorização da Anvisa. Só que lá em 2017, a burocracia era imensa.

“Antes do salvo conduto era uma tortura. Um monte de laudo, receita, termos, era uma burocracia imensa, não tinha essa via de fazer pela internet, tinha que mandar documento físico”.

Dificuldade com importação de sementes

Com o Habeas Corpus em mãos, a burocracia agora é outra: a dificuldade com a importação das sementes.

“A gente não tem regulamentado o cultivo no país. Dificulta porque as espécies (brasileiras) são ricas em THC e pobres em CBD. As crianças precisam de espécies ricas em CBD. Então a gente tem que importar as sementes. Mas quando passam pela aduana, em muitos casos elas ficam retidas e depois são inutilizadas pelo Ministério da Agricultura, alegando que não tem registro fitossanitário”, lamenta.

A mãe jardineira questiona de que vale possuir o salvo contudo se não se consegue legalmente acesso às sementes adequadas para as condições de cada paciente. Por isso a importância desta rede entre as mães, que vão se ajudando tanto na troca de experiências como de sementes. O projeto ajuda ainda na organização de documentação clínica para as participantes e oferece uma rede de profissionais de saúde.

A live será transmitida no canal do Instagram da Sbec. Participarão da conversa a Dra. Eliane Nunes, psiquiatra e diretora geral da entidade; o Dr. Pedro Fracaroli, filósofo, advogado e membro honorário da Sbec; Clarissa Krieck, profissional que atual no mercado formal canábico nos EUA; e a Nayara, que fundou e preside a Associação Canábica em defesa da Vida (Maléli).

Procurando por um médico prescritor de cannabis medicinal? Clique aqui temos grandes nomes da medicina canabinoide para indicar para você realizar uma consulta.

Redação Cannabis & Saúde

Postagens recentes

“A Cannabis trouxe minha mãe de volta”, diz filha de paciente com Alzheimer

Com Alzheimer desde os 57 anos, Abigail Vosgerau estava completamente dependente de cuidados quando começou…

2 dias agora

O papel terapêutico do tetrahidrocanabinol (THC), por Dra. Ana Hounie

No caso da síndrome de Tourette e em outros transtornos de movimento, o canabidiol isolado…

2 dias agora

Justiça revoga suspensão da Abrace e dá 4 meses para ONG se adequar às regras da Anvisa

Associação que atende 14,4 mil pacientes poderá retomar as atividades enquanto providencia regularizações junto à…

2 dias agora

Abrace continuará fornecendo derivados de Cannabis, apesar de ação na Justiça

Após conhecer a sede e o trabalho da ONG, desembargador que está com processo no…

2 dias agora

Dr. Vinicius Barbosa realiza palestra online sobre Cannabis medicinal

Psiquiatra e prescritor de Cannabis medicinal, Barbosa irá abordar os princípios do uso terapêutico da…

3 dias agora

Advogados do Brasil e Portugal debatem a reclassificação da Cannabis pela ONU

Especialistas dos dois países farão painel nesta sexta sobre os impactos da medida pela agência…

3 dias agora