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“A Cannabis foi a melhor coisa do mundo para a minha vida”

Após uma vida de dor e depressão causada pela fibromialgia, Ana Paula conseguiu finalmente experimentar a sensação de bem-estar graças à Cannabis

“Eu nasci com dor e é assim desde que me conheço por gente.” A vida não foi fácil para Ana Paula Menezes Silva da Costa, hoje aos 56 anos. “Tudo era reumatismo. Vivia com inflamação na garganta, contaminação por bactéria. Tive febre reumática e, sempre, muita dor. Eu sofri muito porque as pessoas não entendiam. Achavam que eu queria aparecer. Que falava de dor para chamar atenção.”

Sem encontrar compreensão, acolhimento e, muito menos, um tratamento que desse conta de pôr fim ao seu sofrimento, começou a se retrair. “A depressão vem porque você se fecha, por não querer mostrar algo para as pessoas e elas te julgarem por não entender o que você está passando”, conta. 

“E essa dor me debilitava muito e, com 13 anos, veio a depressão. Eu comecei a fazer tratamento com psicóloga e um psiquiatra para ver se me aliviava um pouco, porque eu fiquei muito introspectiva, por conta da dor e por conta do não entendimento das pessoas.”

O tardio diagnóstico de fibromialgia

O tempo passou e somente em 2008 começou a descobrir o motivo de dores tão intensas. “Meus exames mostraram que eu tinha artrite reumatoide e psoriática. Logo as duas. Então minhas minhas articulações sempre estavam inchadas. Um ortopedista lá de Belém do Pará desconfiou que talvez eu tivesse fibromialgia. Me passou para um especialista amigo dele que fez o exame e confirmou que era mesmo.”

Como tratamento, passou a receber injeções periódicas de metotrexato, um quimioterápico voltado para artrite reumatóide refratária. “A injeção me fazia muito mal. No que começava a injetar, já vinha um enjoo, mal estar. Eu não conseguia sair da cama, de tanto mal estar.”

“Eu já não dormia. Passava quase que 24 horas acordada, olheiras e tudo mais. A qualidade de vida lá embaixo, porque, se não consegue dormir, a irritabilidade é grande. A depressão. Você vai entrando no fundo do poço, porque não encontra saída. Eu não queria tomar mais aquele remédio, porque só ficava pior.”

O início com a Cannabis medicinal

 

Assistindo a condição de Ana Paula, seu irmão passou o link do portal Cannabis & Saúde com informações para o uso de Cannabis para o tratamento de fibromialgia. Na plataforma de médicos prescritores, buscou um que melhor atendia às suas necessidades. Encontrou o psiquiatra Caio Vieira.

“Achei fácil o processo. Me cadastrei e foi fácil também. Recebi um retorno logo. Mandaram para o meu e-mail com as possibilidades, perguntando se realmente eu queria e tive acesso àquele monte de especialista para que escolhesse. Eu escolhi o psiquiatra, o dr. Caio, para que me ajudasse em relação às outras coisas, como a depressão.”

Ana Paula deu início ao tratamento com Cannabis medicinal em maio de 2021. “Assim que eu comecei a tomar, no primeiro dia eu já senti um alívio imenso. Minhas mãos começaram a ter mais mobilidade, sem dor. Eu não conseguia nem escrever meu nome. Não parou de melhorar desde então. Só melhora mesmo.”

A qualidade do sono melhorou, as dores diminuíram e a depressão logo foi ficando no passado. De sintoma em sintoma, viu sua vida ser transformada. “Eu fiquei assim me sentindo mais feliz, porque eu me senti ativa, produtiva, outra vez. Não faço aquela atividade como eu fazia quando tinha 18, 20 anos, né? Mas consegui voltar a ir para a academia, fazer esteira.”

“Vale muito a pena”


“Hoje eu me sinto muito melhor”, continuou. “Para todos que eu conheço, e que 
sentem o que eu sinto, eu sempre digo que, se puderem, deveria meter as caras e testar, que realmente vale muito a pena. Há muitos estudos que demonstram que você tem melhora em sua qualidade de vida, que é positivo para o seu bem-estar, para sua saúde física. Melhorando o físico, mentalmente melhora também. Quando o físico tá ruim, o mental vai para o beleléu.”


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Assim, Ana Paula finalmente se sente pronta para experimentar uma longa e agradável vida. “Eu sei que eu tenho que tomar para o resto da vida, porque minha doença não tem cura, mas eu acho agora que vou viver até mais que cem anos desse jeito. Eu digo para todos que foi a melhor coisa do mundo para minha vida. Eu acho que vai ser para muita gente que passa que eu passo. Milhares de pessoas como eu.”

Felipe Floresti

Editor, repórter e jornalista especializado em Cannabis Medicinal

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