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Terceira noite do Medical Cannabis Summit traz palestrantes internacionais

Mara Gordon, fundadora da Aunt Zelda’s, relembrou nesta quarta-feira, 21, no Medical Cannabis Summit, a primeira experiência com Cannabis, no HempCon, nos Estados Unidos. Contou da decepção em não encontrar naquela época nada parecido com medicina nas indicações para tratar sua dor crônica com a planta, nos anos 1990. “As instruções variam de 5 a 20 doses”, contou.

Foi dali que surgiu a ideia de pesquisar e sistematizar o uso de Cannabis medicinal – e fundar a Aunt Zelda’s, anos depois, em 2011. É esse o futuro que ela vê para expandir o uso e a adesão de médicos ao tratamento: com ciência e educação.

“Primeiro é preciso educar os médicos. Só quando os médicos aceitarem isso, quando os próprios médicos queiram que esse tratamento esteja disponível para seus pacientes, os órgãos governamentais vão aceitar”, disse.

Preconceitos

Gordon lembrou ainda dos tabus que a pesquisa com Cannabis ainda enfrenta. Em sua palestra no Ted Talk, o canal registrou um alerta, na descrição:

“Embora alguns espectadores possam achar que os conselhos fornecidos nesta palestra são úteis como uma abordagem complementar, por favor, não olhem para esta palestra em busca de conselhos médicos. Nós sinalizamos esta palestra por que a fala da palestrante está fora das diretrizes de conteúdo do TEDx”.

A pesquisadora não se mostra abalada, pelo contrário, brincou: “quando vi pensei: ótimo isso vai me dar 300 mil visualizações”. Mas admitiu a insatisfação ao ver o alerta do Ted. “Eu não sou médica, nem estou aqui para ser popular, estou para fazer ciência”, complementou.

Gordon lembrou das pessoas que já criticaram suas pesquisas, por conta dos tabus com a Cannabis. “Eu falo: quando um parente seu ficar doente, eu seria a primeira pessoa pra quem vc vai ligar.”

Usos da Cannabis

Dr. Roger Pertwee abriu a noite com uma conversa sobre alguns dos potenciais usos de cannabis e suas propriedades farmacêuticas. Pertwee foi duas vezes presidente da Internacional Cannabinoid Research Society e merecedor dos prêmios Mechoulam, Lifetime Achievement do ICRS e o IACM Special e o Highly Cited Researcher.

Pertwee focou em três canabinoides específicos: THC, CBD e CBG. E apresentou o histórico do uso de medicamentos feitos à base deles, com início em 1996 do THC sintético.

Um dos estudos citados na apresentação de Pertwee falou do uso de maconha em pacientes com escleroses múltipla, produzido por ele e outros colegas. “Fomos capazes de apresentar informações sobre quais afirmações foram feitas sobre os benefícios da maconha fumada em casos de esclerose múltipla. Por exemplo, melhor qualidade do sono, redução da espasticidade, etc. Isso provocou ensaios clínicos que foram positivos.

Pertwee também lembrou dos efeitos colaterais da toxicidade do CBD, ainda que pequenos. “Pode produzir sonolência, letargia, sedação e sensação de fadiga”, explicou. “Mas qual medicamento não produz pelo menos um efeito colateral? E não é a razão benefício/risco que importa? Então para epilepsia severa, por exemplo, isso claramente supera sentir sonolência.”

Cannabis e câncer

Donald Abrams, um dos pioneiros clínicos investigadores a definir muitas das primeiras condições relacionadas à AIDS no San Francisco General Hospital, encerrou a noite com a apresentação de seu estudo sobre o uso de Cannabis no tratamento de câncer.

“Eu fui um dos membros entre 16 pessoas que revisaram 10 mil resumos de artigos científicos da literatura médica no final de 2016 para produzir esse volume sobre os efeitos da Cannabis e dos canabinoides na saúde para a National Academies of Sciences, Engineering and Medicine, nos EUA”, contou.

Na apresentação, Abrams falou sobre os benefícios do uso da Cannabis no controle das náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia. “Há apenas três estudos controlados de Cannabis nesses casos”, contou. Apesar da quantidade baixa, todos eles mostraram o potencial da planta – o médico e pesquisador apresentou ainda a carta de uma paciente de câncer feliz com os resultados.

Ainda assim os médicos seguem resistentes. “Infelizmente, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica, a organização matriz para todos nós oncologistas, teve um painel de especialistas alguns anos atrás, e eles recomendaram que o FDA aprovasse canabinoides somente para tratar náuseas e vômitos resistentes à terapia padrão, com antieméticos, ainda que estes não tenham se mostrado tão eficientes quanto aqueles”, lamentou. “E as evidências continuam insuficientes recomendar maconha nessa situação.”

Abrams lembrou ainda dos benefícios da Cannabis no estímulo do apetite, tão prejudicado em pacientes oncológicos. E citou estudos que mostram ganho de peso entre essas pessoas e falou sobre efeito entourage e o papel do THC.

O pesquisador e médico também abordou outros estudos que abordavam a função analgésico e antitumoral da Cannabis.

Medical Cannabis Summit

A noite desta quinta-feira, 22, segue com outros painéis no Medical Cannabis Summit, a partir das 18h. Você pode se inscrever gratuitamente por aqui. Participe!

Redação Cannabis & Saúde

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