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Cinco histórias estrangeiras que marcaram a luta pelo direito à Cannabis medicinal

A Cannabis medicinal é uma realidade há anos. Embora muitos pacientes ainda encontrem entraves no acesso ao tratamento, o número de beneficiados não para de crescer. Um avanço que contou com a evolução da pesquisa científica, mas também com a luta de pacientes e familiares que tiveram a coragem de expor sua condição. E obrigaram o mundo a conhecer a transformação que a Cannabis causou em suas vidas.

Relembre algumas dessas inspiradoras histórias.

Charlotte Figi

Crises convulsivas faziam parte da vida da americana Charlotte Figi desde seus primeiros meses. Diagnosticada com Síndrome de Dravet, uma forma grave de epilepsia, foi submetida a todo tipo de tratamento. Tanto os convencionais alopáticos, que agravaram sua condição, como acupuntura e dietas exóticas. Nenhum obteve sucesso.

Aos cinco anos de idade, a menina não falava ou andava. Foi quando sua mãe, Paige Figi decidiu iniciar o tratamento com óleo de Cannabis rico em canabidiol. Já na primeira semana, algo inédito: Charlotte não teve nenhuma convulsão. As crises voltaram, mas com frequência bem menor, o que possibilitou com que a jovem, enfim, pudesse levar uma vida normal.

Sua história viralizou primeiro na internet, mas ganhou o mundo com um documentário realizado pela rede americana CNN. Tamanho sucesso fez até com que a cepa da Cannabis utilizada em seu tratamento (rica em CBD e baixo teor de THC) fosse rebatizada como Charlotte’s Web em sua homenagem.

Charlotte morreu em abril de 2020, aos 13 anos.

Rebecca Sewell

Diagnosticada com Síndrome de Dor Regional Complexa (SDRC) aos dez anos, Rebecca Sewell pensou que estava curada. As intensas dores que surgiram na infância, desapareceram com o tempo e pode seguir uma vida normal.

Nascida em Dakota do Sul, vivia em Nova York, para onde havia se mudado para estudar moda, quando as dores voltaram. Aos 23 anos, sofreu uma fratura por estresse na perna, e sua vida nunca mais foi a mesma. 

Curtas e intensas crises de dor se tornaram frequentes. Tentou todo tipo de tratamento, como uma bomba que libera morfina, mas não adiantou. A doença a deixou cada vez mais debilitada. Voltou a morar com a mãe e precisava de um andador para se locomover.

Em 2012, Rebecca passava quase todo o dia na cama. Além do SDRC, ela enfrentava também um quadro de fibromialgia, depressão, diabetes e insônia. “Eu estava tomando doze medicamentos diferentes, incluindo um gotejamento contínuo de morfina. Quase cheguei ao fundo do poço”, contou em palestra.

Após uma mudança para Sacramento, na Califórnia, onde a Cannabis era legalizada, as coisas começaram a mudar. Rebecca dependia de cadeira de rodas quando começou a utilizar a Cannabis inalada para relaxar.

Após oito anos de luta contra as dores, algo deu certo. Decidida a se livrar da bomba de morfina, começou a experimentar diferentes composições de óleo da Cannabis. 

Removeu a bomba, mas não sem sofrimento. Passou 25 dias na UTI para reparar um vazamento de fluido espinhal que ocorreu durante a remoção. A dor era insuportável.

Para ela, no entanto, só foi possível suportar a dor graças à Cannabis medicinal. Superada a crise, Rebecca virou ativista da Cannabis na medida que colhia os benefícios. “Em 2016, parei de usar a maioria dos medicamentos, perdi 30 quilos e meus problemas de tireoide e diabetes começaram a diminuir.”

Ela diz que não está 100% curada, mas está se sentindo “muito melhor” fisicamente e emocionalmente.“As dores estão na faixa de intensidade 1 a 2. Pouco em comparação com os 9 a 10 que eu costumava experimentar.”

Ashley Surin

Oito meses após ser diagnosticada com leucemia linfoide aguda (LLA), Ashleiy Surin, aos três anos, teve sua primeira convulsão. O câncer afeta as células brancas, o que afeta o sistema imunológico, e na jovem desencadeou um quadro de epilepsia.

A quimioterapia curou o câncer, mas não a epilepsia. Passou noves anos com crises convulsivas diárias. Nenhum remédio funcionava. Pior: o tratamento, além de não controlar as convulsões, a deixava irritada e com uma intensa letargia. Só encontrou a solução quando passou a se tratar com Cannabis. Aí a vida mudou – e as convulsões diminuíram.

Mas esse não foi o final da batalha da família Surin. Aos onze anos, Ashley começou a utilizar um adesivo que libera CBD e THC. Apesar da Cannabis ser legalizada em 33 estados americanos, incluindo Illinois, onde vivia, a legislação era contraditória e não permitia a entrada do medicamento a base de Cannabis no ambiente escolar.

O caso deu início a uma batalha na justiça e só teve seu desfecho em outubro de 2018, quando foi promulgada a “Lei de Ashley”. Desde então, as crianças podem manter o tratamento com Cannabis na escola.

Beyla Pagano

Nascida prematuramente com apenas 24 semanas, Beyla Pagano teve um acúmulo excessivo de líquido no cérebro, diagnosticado com microcefalia. Seu desenvolvimento ficou ainda mais prejudicado aos dois anos, quando começou a sofrer com epilepsia. 

Os médicos não acreditavam que Beyla algum dia seria capaz de andar e falar. Prescreveram opioides e medicamentos antiepilépticos, mas só causaram uma reação alérgica intensa que a deixou em coma. Aos cinco anos, já havia passado por 37 cirurgias – e nada dos sintomas desaparecerem.

Até que seu pai, Craig Pagano, escutou sobre pesquisas com óleo de Cannabis, e viajou de Nova York para Califórnia, onde o processo de legalização era mais avançado, para comprar o remédio.

Os resultados foram surpreendentes. O controle da epilepsia permitiu que Bayla, que vivia em estado semi- vegetativo, retornasse. Contrariando os médicos, começou a andar e falar. 

Vivian Stagg

Aos 40 anos, Vivian Stagg passou a acordar confusa, cansada, e com a língua machucada. Certa vez, acordou e não se lembrava quem era. Buscou um médico, e foi diagnosticada com Epilepsia Noturna. Com o tempo, as convulsões passaram a acontecer durante o dia também. Como era motorista de ônibus, o trabalho se tornou inviável e ela te de pedir afastamento.

Foram 20 anos com frequentes e inesperadas convulsões, que a impediam de sair desacompanhada de casa, e com os efeitos colaterais dos 20 comprimidos que tomava diariamente. Em 2015, precisou tomar uma decisão: enfrentar ou não uma invasiva cirurgia no cérebro, que poderia a levar a morte. A filha, então, sugeriu algo novo: canabidiol. 

Precisou de apenas um dia para sentir a diferença. Até teve uma convulsão, mas muito menos intensa do que as anteriores. Em dois meses, a frequência das convulsões caiu para a média de uma por mês.

Abandonou os antidepressivos e voltou a sorrir. Embora ainda use medicamentos anticonvulsivos, precisa de bem menos comprimidos reduziu. E, com isso, os efeitos colaterais também diminuíram. Já pode ir ao supermercado ou visitar os amigos sem tanto receio. Segundo ela, “após 20 anos, a Cannabis permitiu que voltasse a viver.

Redação Cannabis & Saúde

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