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Cannabis combate a transpiração em excesso, indica estudo brasileiro

Doença que afeta 5% da população, a hiperidrose foi controlada com uso de CBD em pesquisa realizada por médicos do Hospital Albert Einstein

Um estudo publicado recentemente pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein — instituição ligada ao Hospital Albert Einstein, de São Paulo — indica que o canabidiol é efetivo no tratamento de uma doença relativamente comum, que afeta cerca de 5% da população mundial: a hiperidrose.

Caracterizada pela produção excessiva de suor pelas glândulas sudoríparas, a desordem afeta ambos os sexos e todas faixas etárias, causando transtornos que reduzem consideravelmente o bem-estar dos indivíduos, especialmente no caso de crianças e adolescentes. A publicação, assinada pelo psiquiatra Rubens Pitliuk, e pelas neurologistas Christina Morotomi Funatsu Coelho e Tatyanny Paula Pinto da Costa Santos Fucci, relata dois casos de “inesperada melhora de hiperidrose com uso de canabidiol”.

Tratamentos convencionais

Via de regra, a hiperidrose se manifesta de duas formas. A forma primária, ou focal, é identificada por produção excessiva de suor em determinadas partes do corpo, geralmente no rosto, nas palmas das mãos, nas solas dos pés ou nas axilas. Já a hiperidrose secundária, ou generalizada, associa-se comumente a outros transtornos, como obesidade, excesso de calor corporal ou doenças sistêmicas, como infecções, desordens endócrinas, tumores neuroendócrinos, condições neurológicas e lesões na medula.

Varia-se o tratamento de acordo o local em que a doença se manifesta e sua gravidade. A terapia convencional envolve a aplicação de cloreto de alumínio, botox, miobloco, e agentes anticolinérgico. Em casos em que a hiperidrose é relacionada a eventos emocionais e recorrentes, há a opção de uma cirurgia, a simpatectomia torácica, que cauteriza os gânglios responsáveis pela sudorese. Em ambos os casos, os resultados podem ser satisfatórios, mas há relatos em que a hiperidrose retorna de forma compensativa no pós-operatório.

Casos do estudo brasileiro

Os dois episódios relatados pelo grupo de médicos do Instituto Albert Einstein abordam a desordem de forma quase incidental — em ambos os casos, os pacientes iniciaram o tratamento com canabidiol tendo em vista outras doenças, e acabaram descobrindo uma interessante nova terapia no caso da hiperidrose.

No primeiro, um homem de 43 anos tratava sua fobia social há anos com diferentes antidepressivos, mas sempre com um efeito colateral indesejado: o aumento excessivo na transpiração. Acometido também por intensa ansiedade em eventos relacionados ao trabalho, muitas vezes acompanhada de taquicardia e falta de ar, o homem buscou o tratamento com Cannabis medicinal.

 Sob recomendação médica, o homem testou uma dose diária de 50mg do fitocanabinoide (CBD sem tetraidrocanabinol), e, para sua surpresa, notou que antes de cumprimentar as pessoas não precisava mais secar as mãos com o lenço que carregava sempre consigo. Inesperadamente, a hiperidrose havia desaparecido — e o efeito placebo foi descartado, uma vez que antes de iniciar o tratamento o homem não havia mencionado a desordem aos médicos.

 Acompanhando o caso de perto, os médicos notaram que a hiperidrose voltava quando o medicamento canábico era suspenso; e regredia no mesmo dia em que o tratamento era retomado. Desde 2019, o homem tem sua condição estabilizada com duas doses diárias de fitocanabinoide, de 25mg cada.

O segundo relato envolve uma mulher de 27 anos no espectro do autismo associado a um comprometimento do sistema nervoso autônomo e epilepsia. A paciente também se queixava de dores no corpo, ansiedade, pensamentos persistentes, dificuldade de relacionamento social, incontinência urinária e sudorese nas mãos.

 Após tentar vários medicamentos — muitos deles sem efeito prático ou com efeitos negativos —, a mulher se tratava com medicamentos para epilepsia e antipsicóticos, ainda com eficácia parcial.

Uma combinação de seus medicamentos alopáticos com CBD (com 0,3% de tetraidrocanabinol) foi recomendada pelos médicos. Em pouco tempo o quadro da paciente apresentou melhora significativa, incluindo, para surpresa de todos, suas queixas de transpiração excessiva nas mãos.

Conclusão

Os pesquisadores fazem questão de ressaltar que o uso da Cannabis medicinal é uma alternativa viável para uma série de doenças. “O canabidiol tem uma farmacologia complexa e vários mecanismos têm sido propostos para explicar sua ação. Diferentes estudos têm demonstrado que os notáveis efeitos do CBD dependem da facilitação da neurotransmissão mediada pelo receptor 5-HT1A da serotonina em áreas relacionadas à defesa.” 

Cannabis medicinal, lembra ainda o estudo, tem efeitos antipsicóticos, antidepressivos, ansiolíticos, antiepiléticos, anti-inflamatórios e analgésicos, além de ajudar na regulação do sono e estabilização de humor. A publicação na íntegra está disponível aqui.

A inesperada eficácia de fitocanabinoides no tratamento da hiperidrose é um achado notável, e os médicos do Hospital Albert Einstein demonstram otimismo em relação a uma nova alternativa de tratamento. No entanto, eles ponderam que uma investigação mais aprofundada deve ser realizada para aprimorar o conhecimento ainda incipiente sobre o assunto.

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Felipe Floresti

Editor, repórter e jornalista especializado em Cannabis Medicinal

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