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O que é dor neuropática e como a Cannabis pode ajudar?

Condição afeta 10% da população, tem causas e sintomas variados, mas pacientes têm relatado melhoras com uso da medicina canabinoide 

Uma das formas de dores crônicas, a dor neuropática acontece quando os nervos sensitivos do nosso sistema nervoso central são lesionados. É uma condição presente em até uma a cada 10 pessoas e provoca diferentes tipos de dor.

Trata-se de uma doença que não tem apresentado boas respostas aos tratamentos tradicionais para dor, por isso médicos têm recorrido a anticonvulsivantes, como Gabapentina, e até antidepressivos, como Amitriptilina.

O problema são os efeitos colaterais, que vão desde tontura, náuseas e insônia até o comprometimento de outros órgãos, como fígado e rins.

Por isso, cada vez mais pacientes com dor neuropática tem recorrido à Cannabis para amenizar os sintomas, sem os efeitos colaterais dos medicamentos alopáticos. Estudos já começam a aparecer sobre os canabinoides no controle da dor neuropática, que veremos mais além.

Inclusive, alguns pacientes no Brasil com essa doença têm conquistado na Justiça o direito de plantar maconha para produzir a medicação. O último foi um homem de 32 anos, do Distrito Federal, que conseguiu um Habeas Corpus para importar sementes e cultivar Cannabis para tratar sua dor no braço, após um acidente.

O que é dor neuropática?

A definição de dor neuropática é descrita como “dor crônica que afeta nervos sensitivos do sistema nervoso central e sistema nervoso periférico”. 

É uma condição crônica causada por alterações neurológicas. Ela pode acontecer por vários motivos, desde diabetes, alcoolismo, Aids, câncer, esclerose múltipla, infecções e lesões no cérebro ou medula.

A dor neuropática aparece gradualmente, diferente da dor aguda, que se manifesta logo após uma lesão ou trauma.

Sintomas da dor neuropática

Segundo o médico Dr. Marcos Prandine, neurologista, neurocirurgião e neurofisiologista clínico, são queixas mais frequentes de pacientes com dor neuropática:

  • Alodinia: dor exagerada em relação ao estímulo que normalmente não geraria dor
  • Hiperalgesia: sensações dolorosas exageradas após estímulo doloroso
  • Hiperpatia: sensação dolorosa aumentada por estímulos subliminares ou após sensação dolorosa prolongada
  • Hiperatividade autonômica: fluxo sanguíneo, temperatura cutânea e sudorese aumentado ou diminuído

Entre as diferentes sensações da doença, estão a queimação, agulhada, choques, formigamentos ou adormecimento

Como diagnosticar a Dor Neuropática?

Para diagnosticar a dor neuropática, antes devemos lembrar as causas mais frequentes:

  • Doenças infecciosas: bacteriana ou viral (liberação de toxinas)
  • Traumas: Acidentes, fraturas, cirurgias (lesão dos nervos)
  • Distúrbios metabólicos: Diabetes, hiperuremia, hiperuricemia (lesão da bainha nervosa)
  • Moléstias inflamatórias e alérgicas
  • Alcoolismo e distúrbios nutricionais

Portanto, para o diagnóstico eficaz, é necessário o paciente realizar exame clínico e exames complementares, como os laboratoriais, imagens e imunológicos.

Que especialista procurar na dor neuropática?

Caso a dor do paciente seja nos membros ou no tórax, o profissional certo é o médico ortopedista. Se a dor for no abdome, deve-se procurar uma cirurgia geral; Já quando a dor acompanha fraqueza, a clínica médica.

Estes profissionais vão encaminhar o paciente para o neurologista ou reumatologista, sendo rara a procura espontânea.

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Como aliviar as dores neuropáticas:

A dor neuropática é uma condição que praticamente não tem cura. Contudo, diversos tratamentos podem auxiliar contra o sofrimento. Eles basicamente consistem em tratar a doença ou o nervo.

A solução vai desde usados medicamentos anticonvulsivantes, como a Gabapentina ou Pregabalina. Eles diminuem a atividade elétrica dos nervos, inibindo a passagem da dor pelas vias nervosas.

Também podem ser aplicados analgésicos, como Tapentadol e Tramadol. Esses produtos acalmam a dor e diminuem a atividade elétrica dos nervos.

Há ainda o uso de antidepressivos. Entre eles, a Amitriptilina. Esses fármacos aliviam a dor e também agem contra a depressão, condição comum em pessoas com dor crônica.

Porém, em alguns casos a dor é tamanha que é preciso recorrer a uma cirurgia.

Cannabis medicinal para dor: quais evidências científicas existem?

Os canabinoides presentes nas plantas tem mostrado eficácia no controle das dores crônica, podendo diminuir até 30% as escalas de dor. Os efeitos relatados são: diminuição de dor, aumento da tolerância a dor, melhora da qualidade de vida, retorno às atividades de vida diária. Porém, não possui efeito curativo da dor, aparentemente.

Com relação especificamente à dor neuropática, mesmo com escassos estudos randomizados e duplos cegos envolvendo a Cannabis no tratamento, uma meta análise envolvendo 178 pacientes e publicada no PubMed (Lohman D, Schleifer R, Amon JJ. Access to pain treatment as a human right. BMC Med. 2010 Jan 20) revelou o potencial analgésico significativo da Cannabis associado a outros benefícios. Entre eles, a redução de náuseas e melhora do apetite.

O papel do sistema endocanabinoide na Dor Neuropática

Os corpos dos seres humanos e da maioria dos animais produzem seus próprios canabinoides, chamados endocanabinoides. Hoje a ciência conhece bem a anandamida e o 2AG (glicerol 2-araquidonoil). Essas substâncias têm a função de modular os neurônios pré-sinápticos através dos receptores para os canabinoides chamados CB1 e CB2.

O CB1 está presente principalmente no sistema nervoso central e periférico e é responsável pela maioria dos efeitos neurocomportamentais, atuando na dor e transtornos do humor. Já o CB2 está presente principalmente no sistema imunológico e atua modulando resposta inflamatória e citocinas.

Canabidiol (CBD) para tratar a Dor Neuropática

Conforme o Dr, Marcos Prandine, a Cannabis medicinal para dor crônica neuropática atua de duas formas: na diminuição da intensidade da dor e aumentando a tolerância do paciente com a dor.

Além disso, atua como mecanismo de bloqueio à resposta da dor, com o aumento do receptor CB1 na região cerebral referente à dor neuropática, e no receptor CB2 relacionado a antinocicepção, que é a redução na capacidade de perceber a dor, sendo um importante componente para o organismo humano, quando envolvido em situações de emergência. Essas informações foram publicadas na revista Brasileira de Anestesiologia (Rev. Bras. Anestesiol. Vol.58 no.3 Campinas May/June 2008)

A Eficácia do Canabidiol no tratamento da Dor Neuropática

O composto atua como fator de homeostase dos sistemas neurotransmissores como modulador ativo, através dos endocanabioides 2-AQ, que modulam a dor nos receptores CB1, que como já explicamos, é o principal do sistema nervoso central, regulador da dor, e o CB2, que é redutor de inflamação.

Os benefícios canabidiol, mas também do THC, na dor crônica, são:

  • Ação anti-inflamatória
  • Ação relaxante muscular
  • Restauração do sono
  • Alívio da ansiedade
  • Melhora da depressão
  • Reduz receio do contato físico
  • Não é psicotrópico
  • Facilidade da via de administração

Estudos sobre o uso do Canabidiol no tratamento da Dor Neuropática

Segundo o In the report The Health Effects of Cannabis and Cannabinoids: The Current State of Evidence and Recommendations for Research, de janeiro de 2017, existem evidências conclusivas ou substanciais de que os canabinoides são eficazes para o tratamento da dor crônica em adultos, além de terem efeito antieméticos e melhorar a espasticidade na esclerose múltipla.

O Manual de Cannabis e Patologias Relacionadas, publicado em 2017, indica que a Cannabis e produtos relacionados podem ser eficazes no tratamento de alguns sintomas da fibromialgia, sobretudo a dor. Num estudo de 2011, 28 participantes que usaram Cannabis para a patologia classificaram seus benefícios percebidos para cada sintoma. Entre eles, aproximadamente 43% relataram forte alívio da dor e 43% relataram leve alívio da dor. Os 7% restantes não relataram diferença nos sintomas de dor.

Uso de canabinóides na dor crônica e em cuidados paliativos

As evidências científicas da eficiência da Cannabis no controle de dores e cuidados paliativos são antigos. Um estudo de 2009 publicado na Revista Brasileira de Anestesiologia sustenta que é consenso de que os canabinóides “oferecem benefícios aos pacientes sem possibilidades de cura, como a Aids, câncer terminal e portadores de doenças neurológicas, como esclerose lateral amiotrófica (ELA) 23”.

O estudo, intitulado “Uso de canabinóides na dor crônica e em cuidados paliativos”, conclui ainda que o THC puro mostraram significativos benefícios terapêuticos para alívio de náuseas e vômitos e para o estímulo do apetite em pacientes inapetentes.

Conclusão

Portanto, em concordância com as normas e diretrizes da Anvisa e das sociedades brasileiras das especialidades envolvidas com o tratamento dos quadro de dor, a Cannabis medicinal é uma terapia apropriada.

No caso dor neuropática, a associação do uso de fitoterápicos à base de canabidiol e THC, com as substância alopáticas usadas nos quadros de dor crônica, é uma terapia apoiada pela experiência clínica, pelos trabalhos em laboratórios com animais, em trabalhos em humanos randomizados.

Ela tem sua indicação confirmada e a contínua pesquisa médica científica pelos pesquisadores internacionais e nacionais.

Tem apresentado relevância deste tratamento associativo , onde a própria Anvisa aprova e reconhece o uso medicinal desta terapia 

Fontes: Universidade Federal de Campinas Grande, Centro de Formação de Professores – Unidade Acadêmica de Ciência da Vida Graduação em Medina ( Luiza Carla de Medeiros Góis)

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Redação Cannabis & Saúde

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