Cannabis & Saúde

“Não vejo uma patologia que a Cannabis não auxilie de alguma forma”

Em Live especial do Dia Mundial da Conscientização à Epilepsia, entrevistamos os médicos prescritores de Cannabis Vanessa Matalobos e Renan Abdalla
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A epilepsia é uma doença neurológica causada pela atividade irregular das células nervosas do cérebro, e causa convulsões. Ela atinge cerca de 10% da população mundial e, só no Brasil, soma mais de 3 milhões de pacientes diagnosticados com a condição. Para ampliar a compreensão das pessoas sobre o tema, o dia 26 de março foi escolhido para a realização do Dia Mundial da Conscientização à Epilepsia. 

O portal Cannabis & Saúde não podia ficar de fora, afinal, a epilepsia é justamente a condição que carrega mais evidências científicas dos benefícios do tratamento com Cannabis medicinal. São diversos os relatos de pacientes que conseguiram controlar as convulsões, reduzir o número de medicamentos, e melhorar a qualidade de vida graças à Cannabis. De acordo com a Anvisa, cerca de 60% das importações de medicamentos de Cannabis são para prescrições de epilepsia. 

Pensando em auxiliar nos trabalhos de conscientização, o C&S realizou uma live especial na noite de quinta-feira (26), com os médicos prescritores de Cannabis, Renan Abdalla e Vanessa Matalobos. Veja na íntegra:

Cannabis medicinal no tratamento de epilepsia

“O corpo humano é como se fosse uma casa. O coração é a bomba e o cérebro a caixa de luz”, explica Matalobos. “Eu costumo exemplificar que a convulsão é um curto circuito na caixa. Para acontecer a convulsão tem que ter um distúrbio elétrico na condução, culminando no deflagramento da crise.”

A medicina convencional indica medicamentos anticonvulsivos para regular esse “curto circuito”. No entanto, além de diversos efeitos colaterais, um número importante de pacientes não consegue nenhuma melhora com sua condição. Geralmente é esse o panorama da dos pacientes que buscam o tratamento com Cannabis medicinal. 

“A maioria chega quando nada mais deu certo. É minha última chance. Não tenho mais nada para tomar, vou tentar a Cannabis. Isso é errado”, defende a médica pediatra. “É mais fácil ter resposta terapêutica de um paciente virgem e tratamento. a gente sabe que quanto mais remédio, com os neurotransmissores todos ocupados, vai demorar muito mais para ter um efeito.”

“A gente sabe que os primeiros cinco anos são muito importantes para o desenvolvimento, então, principalmente as crianças, muitas vezes já chegam carregando muitas sequelas das crises mal controladas”, complementou Renan Abdalla.

Cannabis como primeira opção

Ambos defendem a Cannabis medicinal como primeira opção de tratamento para epilepsia. Principalmente quando comparados possíveis efeitos adversos dos medicamentos.

“Eu trabalho com uma substância usada há milhares de anos sem nenhum registro de morte. Eu não trabalho com alopáticos porque é o contrário. São muitas mortes. Milhares por ano”, diz Abdalla. “A Cannabis faz parte da nossa evolução. Traz uma conexão legal com nosso organismo, e é por isso que a gente aceita tão bem.”  

De acordo com Matalobos, a Cannabis ajuda inclusive a lidar melhor com os efeitos colaterais dos tratamentos alopáticos. “O doente vem nos procurar pelo auxílio devido a quantidade de efeitos hepatotóxicos que os anticonvulsivante tem. Muitos desenvolvem hepatite medicamentosa”, afirma. “O Cannabis não é só neuroprotetor. É hepatoprotetor também.Duas pacientes minhas com hepatite b, estão há um ano tomando Cannabis, e conseguiram zerar a hepatite só tomando o óleo de canabidiol.”

Os médicos defendem que o principal benefício da Cannabis são seus múltiplos compostos, que agem juntos para devolver o equilíbrio ao organismo do paciente. “A Cannabis regula várias partes do corpo, mas a gente sabe pouco ainda”, explicou Renan. 

“Agora que estamos tendo mais estudos. A cannabis saiu da lista da ONU de substâncias proibidas e as faculdades estão tendo mais liberdade para pesquisar. Muito ainda vai se descobrir sobre o sistema endocanabinoide. Esse poder hepático, renal. Cannabis é antitumoral, anticonvulsivante, antireumático, analgésico, antidepressivo”, concluiu Abdalla. “Depois que tratei esquizofrenia, eu não consigo ver uma patologia que a Cannabis não pode auxiliar de alguma maneira.”

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