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Dia das Crianças: Cannabis é aliada no tratamento psiquiátrico de crianças

Embora ainda sejam limitados os estudos, medicamentos canabinoides podem entregar qualidade de vida onde o tratamento convencional falha

Quando o assunto é tratamento de Cannabis medicinal em crianças, a posição da Academia Brasileira de Psiquiatria e a Sociedade Brasileira de Pediatria são claras:

“A SBP e a ABP não só reconhecem a relevância da busca de terapias efetivas para auxiliar o tratamento dos pacientes pediátricos com transtornos do desenvolvimento, como também valoriza os esforços nesse sentido”, afirmaram em nota conjunta.

“No entanto, é responsabilidade ética esclarecer que até o presente momento não há, na infância, evidência científica classe I ou II para que esta substância seja usada para qualquer outra situação que não sejam as crises epilépticas de muito difícil controle e que não respondam as terapêuticas atuais”, concluem os especialistas.”

Se faltam evidências científicas, por outro lado, não faltam relatos de mães e familiares que conseguiram proporcionar uma drástica mudança na qualidade de vida de seus pequenos graças à Cannabis medicinal.

“Eu tenho uma ótima experiência com o uso de canabidiol. Os pacientes que estavam em tratamento com medicações convencionais, como antipsicóticos, estabilizadores de humor e antidepressivos, sem melhora,  quando a gente fez a troca pela Cannabis com resposta excelente, é quase inacreditável”, afirma a psiquiatra Natália Soledade. “Tem mãe que não acredita quando vê a mudança.”

Cannabis medicinal para crianças

O fato é que crianças não são pequenos adultos. Com o funcionamento do organismo diferente, o uso de qualquer substância requer mais cuidados e cautela. O canabidiol utilizado nos mais jovens pode causar efeitos que geralmente passam imperceptíveis com os mais velhos, como causando fadiga, apatia, tontura e letargia.

Porém, se comparado com os medicamentos convencionais, esses efeitos adversos são muito menos danosos para as crianças. “Uma coisa que me chamou atenção foi o desmame”, prosseguiu. “O perfil dos efeitos adversos são bem menores que outros tratamentos, que levam ao ganho de peso, perda de libido, apatia afetiva. O canabidiol consegue tratar ansiedade e insônia sem tantos efeitos colaterais como as medicações psiquiátricas tradicionais.”

Transtorno Opositivo-Desafiador

A médica usa como exemplo os jovens diagnosticados com Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD), uma condição que leva crianças e adolescentes a terem mais dificuldades em lidar com regras e opiniões alheias, intolerância às frustrações, com reações agressivas, intempestivas, sem qualquer diplomacia ou controle emocional.

Os sintomas do TOD podem aparecer em qualquer momento da vida, mas é mais comum entre os 6 e 12 anos. A associação com TDAH é frequente (50% dos casos), deve ser observada e investigada em todas estas crianças para que sejam tomadas as medidas necessárias, a fim de prevenir problemas de aprendizagem e baixo rendimento escolar.

O ambiente doméstico costuma ser conturbado, com pais divergentes quanto ao modo de educar e conduzir a criança e de como estabelecer parâmetros. Mas, evidências mostram que existem fatores genéticos e neurofisiológicos predispondo o seu desenvolvimento.

“Muitas vezes, alguns dos sintomas são depressão,  ansiedade no adolescente. É necessário fazer esse diagnóstico diferencial”, diz. “A principal característica é o padrão persistente de comportamento negativo.”

“O tratamento convencional é com medicação psiquiátrica, pode ser com estabilizadores de humor ou antipsicóticos e a terapia cognitivo comportamental. Se não for cuidado na infância e adolescência, pode acabar se tornando um transtorno de conduta no adulto”, complementa. “Ele já está acostumado a  ser assim e  não aprendeu a lidar com autoridade, as regras, a raiva. Uma condição um pouco grave.”

Junto com terapia, a Cannabis tem proporcionado uma evolução significativa para esses casos. “A melhora do comportamento, da intensidade das emoções. Tenho até dois irmãos em tratamento, que foram adotados, e estão super bem”, conclui.

“É até meio inacreditável para a mãe. Melhorar o comportamento da criança, do adolescente, proporciona uma melhora importante na dinâmica familiar.”

Felipe Floresti

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