“A Cannabis me deu mais prazer em tratar pacientes”, diz neurologista

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A doutora Christina Funatsu relata angústias e experiências em sua prática com Cannabis medicinal

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“Foi uma espera angustiante”, lembra a médica Christina Funatsu Coelho. Com 32 anos de experiência, assistiu de longe ao surgimento de um tratamento que prometia entregar algo diferente do que estava disponível para seus pacientes até então: a Cannabis medicinal.

“A gente sabia das histórias de pacientes, dos estudos de outros países, só que no Brasil era tudo muito complicado ainda. Era angustiante. Alguns pacientes traziam de fora do país, mas eram muito poucos, pela condição econômica. Não tinha muito mais o que fazer.”

Médica prescritora de Cannabis

Até que a flexibilização das leis de importação do medicamento chegou e a neurologista se viu em condições de entrar de vez no mundo da Cannabis, em 2018. “Comecei a aplicar nos pacientes epiléticos e via que, apesar de ter focado no controle das crises, os pacientes melhoraram muito de outros sintomas”, lembra.

“Um deles era a ansiedade. Podia ser que a ansiedade estivesse melhor porque estava tendo menos crise, mas era evidente a melhora na qualidade de vida, no padrão alimentar, na qualidade de sono, a clareza mental, na dor”, continuou.

“Tinham os pacientes crônicos, com tratamento limitado, então comecei a ampliar o espectro de ação. Vai conhecendo melhor o produto, lendo, estudando mais. A experiência própria também vai ditando algumas coisas. Ai comecei a aplicar para dor, ansiedade, distúrbios de sono, de movimento.”

Funcionamento da Cannabis

De acordo com Funatsu, conhecendo o funcionamento da Cannabis no organismo, e do próprio sistema endocanabinoide, fica claro o mecanismo que faz a Cannabis ser útil em uma ampla diversidade de casos.

“Eu fico maluca quando chamam de panaceia. Eu odeio isso. A Cannabis atua no sistema que nós temos, que foi descoberto no final da década de 80, e está difuso pelo organismo.”

Sistema endocanabinoide

Para explicar, faz um paralelo com o sistema circulatório. Se você cortar uma parte de seu corpo, vai sangrar. Em alguns locais vai sangrar pouco, outros vai sangrar mais e em outros pode ter uma hemorragia que leva à morte. Ou seja, o sistema está difuso pelo corpo, mas com atuações diferentes em cada área específica.

Da mesma forma, o sistema endocanabinoide está difuso pelo organismo, mas concentrações diferentes de receptores diferentes em cada tecido ou órgão. Assim, terá uma reação diferente de acordo com o grau de desequilíbrio naquele determinado tecido ou órgão, assim como quando for imposta uma atuação por um mecanismo externo. No caso, a administração dos fitocanabinoides.

“O sistema endocanabinoide é eminentemente um sistema equilibrador. Promove a homeostase, o equilíbrio, do organismo. É um sistema  inteligente. Quando existe um processo inflamatório, seja viral, por trauma, ou degenerativo, emite um alerta para iniciar a atuação do sistema endocanabinoide na região”, explica.

“Ele é ativado sob demanda. O uso dele mais amplo comparativamente com outras medicações é justamente por isso. O sistema dele estará sinalizando onde precisa ter essa atuação do sistema endocanabinoide. Quando o sistema não consegue suprir essa necessidade, existe a manifestação clínica. O organismo não consegue se reequilibrar e há manifestação dos sintomas.”

A Cannabis então busca cumprir o papel que o sistema endocanabinoide não está desempenhando, na regulação do organismo, pois possui substâncias muito semelhantes às que nosso corpo utiliza no processo.

“A diferença do alopático é que tem uma função x. Ele se liga a uma determinada fechadura e ponto. Ele não tem esse radar que o sistema endocanabinoide tem, de se abrir para a conexão das moléculas quando a atuação for insuficiente.”

Tratamentos com Cannabis

Mesmo com a amplitude de possibilidades da Cannabis, a segurança da aplicação, a médica afirma que ainda não é sua primeira opção de terapia. “A legislação sugere que seja para casos refratários. Até concordo, porque faltam ainda pesquisas de maior robustez e também pelo custo.”

“Não precisamos lançar mão logo de cara de um produto que é caro e não está acessível a todo mundo”, argumentou. “Também não sei se teria uma efetividade maior que o produto que já existe, sendo que esse paciente não demonstrou uma refratariedade.”

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Para ela, a Cannabis é mais uma opção dentro do objetivo maior de proporcionar qualidade de vida aos pacientes. “Me sinto mais respaldada no sentido de que tenho mais uma ferramenta naqueles pacientes que não respondem”, diz. “Não tem porque aplicar como primeira opção uma medicação que ainda é de difícil acesso e cuja efetividade, em muitos casos, está equiparada a substâncias que já existem. Não tem sentido.”

Dificuldade no acesso ao medicamento

No entanto, segundo ela, ainda falta um longo caminho para a consolidação da Cannabis medicinal. Por ser uma ciência muito nova, que ainda demanda o acompanhamento de um grupo grande de pacientes por um longo período para a confirmação efetiva, de acordo com o método científico. Mas, principalmente, pela condição de acesso.

“Me dá um pouco mais de prazer em tratar o paciente. Me abre mais a possibilidade de melhorar  a qualidade de vida do paciente”, finalizou. “Mas ainda é um pouco angustiante, pois a maioria não tem acesso financeiro.”

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