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CBD diminui convulsões em 89% das pacientes com CDKL5, indica pesquisa

CBD diminui convulsões em 89% das pacientes com CDKL5, indica pesquisa

Estudo com pacientes com transtorno por deficiência de CDKL5 apontou redução superior a 50% nas crises epilépticas e outros benefícios

Publicado em

20 de fevereiro de 2026

• Revisado por

Jornalista e editor especializado em Comunicação e Saúde, pós-graduando em Drogas, Sociedade e Práticas Educativas. Escreve sobre ciência e sobre o uso da Cannabis na saúde humana e animal. É também fundador da Editora Vista Chinesa, onde publicou livros como “A História da Cannabis em Quadrinhos” e “Mila”.

CBD diminui convulsões em 89% das pacientes com CDKL5, indica pesquisa

Um estudo publicado em fevereiro de 2026 na revista científica Epilepsia Open apontou que o uso de canabidiol (CBD) reduziu em mais de 50% a frequência das crises epilépticas em 89% das pacientes com transtorno por deficiência de CDKL5 nos primeiros três meses de tratamento.

A pesquisa avaliou nove meninas com diagnóstico confirmado da condição, uma encefalopatia epiléptica e do desenvolvimento rara e de início precoce, caracterizada por convulsões frequentes e de difícil controle.

O que é o transtorno por deficiência de CDKL5

O transtorno por deficiência de CDKL5 é causado por alterações no gene CDKL5, essencial para o desenvolvimento adequado das conexões entre neurônios. A condição geralmente se manifesta nos primeiros meses de vida e está associada a:

  • • Crises epilépticas refratárias
  • • Atrasos motores e cognitivos
  • • Problemas visuais
  • • Distúrbios do sono
  • • Alterações gastrointestinais

Como as crises costumam responder de forma limitada aos anticonvulsivantes convencionais, novas abordagens terapêuticas vêm sendo investigadas.

Atualmente, o tratamento do transtorno por deficiência de CDKL5 é baseado principalmente no controle das crises epilépticas com medicamentos anticonvulsivantes. Mesmo assim, muitas crianças continuam apresentando crises frequentes e sintomas associados, o que impulsiona a busca por novas alternativas terapêuticas.

Como o estudo com CBD foi conduzido

O estudo foi retrospectivo e aberto, ou seja, todas as participantes sabiam que estavam recebendo o tratamento com CBD isolado e não houve grupo placebo para comparação.

Nove meninas com diagnóstico confirmado de transtorno por deficiência de CDKL5 participaram da pesquisa, com idades entre 1 e 24 anos. Todas apresentavam pelo menos quatro crises por mês, mesmo usando medicamentos anticonvulsivantes.

Antes de iniciar o CBD, as participantes passaram por um período de avaliação para registrar a frequência das crises e estabelecer uma linha de base comparativa.

O canabidiol foi administrado como terapia complementar, mantendo-se os medicamentos já utilizados. A dose inicial foi de 5 mg/kg por dia, dividida em duas tomadas. Posteriormente, a dose foi ajustada de forma gradual, atingindo em média 15 mg/kg por dia, podendo chegar a cerca de 20 mg/kg conforme a tolerância individual.

Resultados: redução expressiva nos primeiros meses

Os resultados chamaram atenção, especialmente no início do tratamento:

Após 3 meses, 8 das 9 pacientes (89%) tiveram redução superior a 50% na frequência das crises.
Após 6 meses, 6 das 9 ainda mantinham redução acima de 50%.

Durante o estudo, cinco pacientes conseguiram reduzir ou suspender pelo menos um anticonvulsivante convencional. Em dois casos, o CBD isolado foi utilizado praticamente como tratamento único.

Benefícios além do controle das crises epilépticas

Além da redução das convulsões, os pesquisadores observaram possíveis ganhos funcionais:

  • • Melhora no estado de alerta e contato visual (7 pacientes)
  • • Avanços na função motora (3 pacientes)
  • • Melhora no sono e constipação (2 relatos familiares)

De acordo com os autores, algumas dessas melhorias persistiram mesmo quando a frequência das crises voltou a aumentar, o que pode indicar efeitos mais amplos do canabidiol sobre o transtorno por deficiência de CDKL5.

Segurança e futuro da pesquisa

Nenhum evento adverso grave foi registrado. Os efeitos colaterais mais comuns foram:

  • • Sonolência
  • • Rash cutâneo
  • • Elevação discreta das enzimas hepáticas (resolvida após ajuste de outro medicamento)

Por se tratar de um estudo pequeno, sem grupo controle e com apenas nove participantes, os resultados são considerados preliminares. Ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo ainda são necessários para confirmar os achados.

Ainda assim, os autores destacaram o potencial terapêutico do CBD isolado nas participantes.

“Sugerimos que o CBD pode ser uma opção terapêutica eficaz e relativamente segura em pacientes com transtorno por deficiência de CDKL5. O CBD pode estar associado a efeitos não apenas sobre as convulsões, mas também sobre o estado de alerta, o sono e as funções motoras.”

Acesso ao tratamento no Brasil

Para famílias que convivem com o transtorno por deficiência de CDKL5, pesquisas como essa oferecem uma nova perspectiva terapêutica, mas também reforçam a importância do acompanhamento individualizado.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis. No entanto, o acesso exige prescrição médica e o tratamento deve ter acompanhamento de um profissional de saúde devidamente habilitado.

Então, para incluir medicamentos à base de Cannabis na sua rotina de cuidados, busque orientação especializada na nossa plataforma de agendamento. Lá, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes na prescrição de canabinoides. Acesse já e inicie essa jornada de forma responsável e segura.

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