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“A Cannabis tirou a dor como se fosse uma faca”, conta paciente com fibromialgia

A vida de Sueli Bogomoltz poderia ser só mais uma agradável história comum. Aos 61 anos, viúva, se orgulha dos netos que lhe dão “indescritível felicidade”, irmãos, filhos e noras que ama, um pai que admira por sua sabedoria e simplicidade, além de um noivo companheiro e compreensivo. Seria, se a dor não a acompanhasse na maior parte dessa história.

Diagnosticada com lúpus aos 20 anos, viu sua condição piorar com o nascimento do seu primeiro filho e um quadro grave de depressão pós-parto. “Isso foi em 1982”, conta a artista plástica Bogomoltz. “Meu lúpus veio com força total. Muita febre, meu peito ficou uma coisa gigante. Fiquei muito mal. Eu era uma criança, com bebê, cheia de dor, com vergonha de estar mal, com medo. Eu não sabia nem o que era depressão.”

Entre melhoras e crises, Bogomoltz nunca mais sarou. Desde então, atividades corriqueiras, como brincar com os netos ou os afazeres domésticos são como uma tortura. “Lavar um pouco de louça era como se tivessem várias facas fincadas na coluna. Tanta dor que chega a ser humilhante.”

Foram diversos remédios, médicos e tentativas e nada resolvia. Há 18 anos acumula o diagnóstico de fibromialgia. ”Eu me entupia de remédio para dor e ansiedade. Tomei muito corticoide, muita cloroquina. Tentei acupuntura, centro espírita. Fiz de tudo. Eu já estava cansada. Querendo deixar de viver.”

Fim das dores com Cannabis

Até que  buscou Ibsen Damiani, médico e professor de neurologia na Santa Casa de São Paulo e recebeu a prescrição de Cannabis medicinal. Já havia testado um óleo, mas sem o efeito desejado. O médico creditou à baixa concentração de CBD.

Tentou um mais forte. Um óleo full spectrum (com todos os canabinoides presentes na planta) e concentração de 100mg de canabidiol por 1ml.

“Quando chegou o remédio para mim, dia 18 de novembro, eu tomei. De noite e na manhã seguinte. Na terceira tomada, levantei para tomar café. No caminho para a sala, eu tive uma sensação muito estranha. Parecia que eu só tinha cabeça, não tinha corpo. Não tinha corpo porque o que eu conhecia do meu corpo era dor, dor, dor o tempo todo. 24 horas por dia. Ficou só minha cabeça indo para a cozinha, tamanha leveza.”

“Liguei para o doutor Ibsen chocada. Como pode, na terceira tomada, acabar com a dor? Ele ficou super feliz”, lembra Bogomoltz. “Eu esperava que ia demorar mais. O negócio é muito poderoso. É um alívio muito grande. Uma benção, um remédio milagroso. Nunca imaginei na minha vida que ia ficar sem dor. Achava que ia morrer com dor. 

Após dois meses de tratamento, segue colhendo os resultados da “terceira tomada”. Com 15 gotas antes de dormir, tenta agora cortar a dependência dos remédios. A esperança é que, aos poucos, não só a dor vá embora, como as outras condições acumuladas ao longo dos anos de doença.

“A dor é insuportável. A Cannabis cortou como uma faca. É algo que corrói, e é uma glória. Tenho fadiga crônica e acredito que, vai ser mais lento, mas vai diminuir. A minha memória, eu percebi esses dias, também melhorou muito.” 

Felipe Floresti

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