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Jovem encontra na Cannabis tratamento para os idosos de sua família

Alzheimer, dores constantes, depressão, ansiedade, glaucoma, gastrite: veja como a Cannabis transformou a família de Lucas Teixeira

O que era para ser uma cirurgia pouco invasiva no canal da uretra mudou para sempre a vida de Darcy da Silva, aos 82 anos. Ao retornar para casa, seu estado mental passou a ser problemas. O médico chamou de “Pacote Cirúrgico”, um nome mais simples para a disfunção cognitiva pós-operatória (DCPO), que muitos pacientes idosos sentem ao ao serem submetidos a procedimentos com anestesia.

Darcy nunca se recuperou. Algum tempo depois veio um novo diagnostico: estava com Alzheimer. Ao ver o quadro piorar aos poucos, seu filho, Lucas Teixeira, hoje aos 28 anos, saiu em busca de algum tratamento.  “Sempre que ia a um neurologista, se repetia a mesma coisa”, conta.

Tratamentos para Alzheimer

“São dois os tratamentos convencionais de Alzheimer. Um ele usou por um ano e meio e paramos, pois não deu nenhum resultado. O outro, assim, que começamos, piorou muito a condição e a gente teve que parar imediatamente.”

Seu quadro foi ficando cada vez mais delicado, mas o ápice chegou em meados de 2020. “O Alzheimer tem muitos altos e baixos. Os períodos de baixa estavam muito complicados. Passamos meses por uma fase muito difícil. De dia, ficava catatônico. De noite, vinha o terror noturno. Vira outra pessoa. Não dorme. Eu e minha mãe também não dormíamos mais.”

A situação estava tão grave, que chegaram a pensar que logo Darcy morreria. “Eu nunca vou esquecer uma conversa que tive com meu irmão em agosto do ano passado”, lembra Lucas. “Ele disse que se fosse a hora do pai, que a gente teria que aceitar, mas eu sentia que não era a hora. Tinha que haver alguma esperança.”

Alzheimer e Cannabis medicinal

E havia, mais perto do que imaginava. Afinal, era amigo de Renan Abdalla, médico especialista no sistema endocanabinoide. “Eu morei um tempo nos EUA, bem na época que alguns estados começaram a legalizar. Sem muito conhecimento, eu sentia que a Cannabis poderia ajudar.”

Logo que o dr. Renan prescreveu o medicamento, e Darcy começou a usar, a esperança foi confirmada. “Sou muito sincero e não vou dizer que a memória dele voltou, mas a Cannabis estabilizou o quadro dele como nenhum outro”, comemora.

“Voltou a dormir normal e recuperou ele como pessoa. Tem momentos que conseguimos conversar, socializar”, continuou. “Com o Alzheimer, a gente percebe o ser da pessoa sumindo. Por mais que seja limitado as coisas que ele faz, eu reconheço o meu pai ali. Às vezes são curtos períodos de tempo, mas já é o suficiente para a gente. Com 86 anos, diagnosticado há muito tempo e com quadro controlado.”

Cannabis no tratamento da depressão

O sucesso no tratamento de Darcy, no entanto, não é o final da história. Pois, percebendo os benefícios com seu pai, pensou que poderia servir para outras pessoas de sua família. Izabel Ramos, uma avó de criação, com 82 anos, foi a próxima. Seu problema era menos grave, mas igualmente incômodo: depressão e ansiedade.

Os resultados foram melhores que a encomenda. “Ela também tinha um quadro sério de glaucoma, iniciou o tratamento com uma prescrição bem conservadora de Cannabis. Mantivemos por uns dois meses experimentais, e ela não mudou nada da medicação de glaucoma”, relata.

“Não cheguei a comentar com a oftalmologista de primeira. Tinha que ver a cada dela quando viu os resultados dos exames. A pressão no glóbulo ocular caiu muito. A oftalmologista não entendia como.”

Cannabis para toda a família

Em seguida foi a sua outra avó, essa por parte de mãe, Maria Bahls, com 86 anos. Com dores constantes por quedas acumuladas ao longo da vida, além de ansiedade e depressão, conseguiu sucesso no tratamento inclusive para a gastrite resultante do grande número de remédios que consumia.

“Eu percebi que a Cannabis é mais eficaz que qualquer das medicações que estavam disponíveis ara o tratamento deles”, afirma Teixeira. “É um medicamento que a gente compra com certa satisfação, mas não é nem um pouco barato. Nos vemos como privilegiados, pois está disponível no Brasil, é melhor que anos atrás, mas tanto em preço quanto em acesso há muito para ser conquistado.”

Felipe Floresti

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