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“Cannabis foi a melhor experiência da minha vida”, diz paciente de fibromialgia

Após uma vida tomada pela dor da fibromialgia, Juliana Codespoti pode, enfim, experimentar uma melhora em sua qualidade de vida, graças ao tratamento com Cannabis medicinal

Até os 22 anos de idade, Juliana França Codespoti lidou com questionamentos sobre sua saúde mental. Do que consegue se lembrar, sempre teve que conviver com dores. Um machucado, um esforço a mais, uma batida, tudo doía muito mais nela que nas outras pessoas, mas poucos acreditavam ser real seu sofrimento. “A minha infância inteira eu escutei que eu era mimada, que era frescura, coisa da minha minha cabeça”, conta Codespoti. 

Em busca do diagnóstico

Mesmo diante de “zilhões” de exames, nada indicava haver algo de errado com ela e, assim, se viu obrigada a conviver com a dor. “Eu era muito espuleta. Brincava bastante na infância, mas sempre com a dor me acompanhando. Sentia dificuldade com a educação física e essas limitações, fazia com que achasse meio esquisita em relação às outras crianças ou adolescentes. Meu ritmo não era o mesmo.”

Apostou em psicoterapia, acupuntura, diversos medicamentos e terapias, mas nada era capaz de melhorar sua condição. “Uma série de coisas que eu perdi por conta da dor e era extremamente frustrante para mim e para minha família.”

Foram 72 médicos e especialistas em diversas áreas até que, enfim, pode saber o que estava acontecendo com ela. “Eu sempre tive muito acompanhamento da minha família. Mas, ao mesmo tempo, eu acabei sendo exposta a muitos médicos incompetentes”, afirma. “Os médicos diziam que eu não tinha nada, o que é bem diferente de chegar e admitir que não sabe o que a gente tem.”

A descoberta: fibromialgia

Somente quando já iniciava a vida adulta, aos 22 anos, enfim, recebeu o diagnóstico. “A fibromialgia infantil é uma doença recente no Brasil. Faz uns 15 anos que é reconhecida como doença, não como loucura. Então eu levei bastante tempo para descobrir que tinha fibromialgia.”

Somente então, tudo começou a fazer sentido. “O cérebro identifica as dores de maneira diferente. Se você ficar estressado no teu trabalho, às vezes vai ter um pouquinho de dor nas costas. Comigo é a mesma coisa, a diferença é que o meu cérebro vai ler essa dor de forma diferente e acabo sentindo a dor de forma mais intensa”, conta.

“A fibromialgia infantil é genética. Minha avó tem, minhas tias tem, por isso eu acabei tendo também. E você perde as comemorações com a família. Perde coisas em cada etapa da vida, porque muitas vezes a dor é incapacitante.”

O diagnóstico deu uma direção, mas ainda estava longe de ver seus problemas serem sanados. “Sempre tomei muitos remédios. Relaxantes musculares, anti-inflamatórios. Consegue manter o paciente vivo com um coquetel gigantesco de remédios, que geram outros problemas”, diz Codespoti.

Fibromialgia e os tratamentos convencionais

“Começa a tratar fibromialgia, mas, quando você vê, está com gastrite, dor de barriga, queda de cabelo. Um monte de doenças que os tratamentos convencionais acabam gerando.”

As dores cresciam, com crises que a levavam para o hospital cerca de quatro vezes em um único mês. Gerente sênior de recrutamento e seleção em uma multinacional, agradece a compreensão e apoio que sempre recebeu em seu trabalho, onde entrou ainda como estagiária, mas frequentemente se via obrigada a ficar afastada, o que acabava gerando ainda mais frustrações.

Até que sua sogra, que é dentista, começou a pesquisar sobre o uso de Cannabis medicinal no controle da dor odontológica. Logo descobriu que talvez pudesse ajudar também na fibromialgia de sua nora. Diante da dica, Juliana, que já havia tentado de tudo, não pensou duas vezes antes de testar a Cannabis também. “Eu nem tinha muita esperança. Já fiz de tudo, várias terapias holísticas, e pensava que ia ser somente mais uma.”

Cannabis e fibromialgia

Há cerca de dois anos deu início ao tratamento, orientada pela neurologista Christina Funatsu. “Os antidepressivos e anticonvulsivantes levam uns três meses para começar a funcionar. Até dar qualquer efeito, é tiro, porrada e bomba, por causa dos efeitos colaterais. Com o canabidiol, em três semanas eu comecei a sentir os efeitos positivos.”

“A primeira coisa que eu comecei a sentir, que foi mágico, é que minhas mãos pararam de doer”, continua. “Então foi uma sensação muito esquisita parecer que eu não tinha mão. Foi legal, mas foi bem estranho, Nunca fiquei sem dor nas mãos, porque a fibromialgia ataca muito as extremidades, então a sensação era como se eu não tivesse mão.”

Foi só o começo. Logo percebeu que estava dormindo melhor, o que a fazia se sentir melhor no dia seguinte. Os exercícios físicos, fundamentais para quem convive com a doença, se tornaram menos desgastantes e dolorosos. Mas, o principal, é que as crises foram ficando cada vez mais raras. 

Benefícios da Cannabis

“Não tive absolutamente nada de efeito colateral e com uma qualidade de vida infinitamente melhor. Com o tratamento com o CBD eu fiquei muito mais estável. Não vou te dizer que eu zerei as minhas crises, mas, por exemplo, sempre tive crises quando estava frio, e recentemente eu consegui passar ilesa. Foi a melhor experiência da minha vida.”

Com a melhora nas dores, pode também reduzir o consumo de medicamentos, e os efeitos colaterais associados. “Minha gastrite desapareceu. A dor de barriga, que estava com síndrome do intestino irritável, também desapareceu. O cabelo parou de cair. Uma série de benefícios. Sem falar no custo, já que não preciso daquele coquetel de medicamentos.”

Hoje, aos 30 anos, se diz pregadora do evangelho da Cannabis, tanto que já indicou para suas duas avós, para o tratamento de Alzheimer e depressão. “Eu conversei com muito médico que não senti confiança até chegar a dra. Christina. Foi ela que me deixou super segura. Meu conselho é que busque um médico que te dê confiança, não só com o canabidiol, mas com qualquer medicamento de uso contínuo”, finaliza Codespoti.

“E pesquisar. Se você corre atrás da informação, se torna protagonista do seu tratamento. E deixar o preconceito de lado. Muita gente tem preconceito. Não ligar para os preconceitos que os outros carregam, porque isso é problema delas. É buscar o que faz bem para você.”

Felipe Floresti

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