História dos pacientes

“A Cannabis muda vidas”, diz esposa de paciente vítima de AVC

Leonardo Mazzer sofreu um AVC aos 26 anos e, com a Cannabis medicinal, experimenta uma transformação em sua qualidade de vida 

Leonardo Mazzer era um jovem ativo e saudável. Praticante de Muay Thai, membro de uma banda de rock, no auge dos seus 26 anos. Recém casado com Luísa Mazzer, estavam prontos para construir uma vida juntos em Sertãozinho, interior de São Paulo, mas não esperavam se deparar com uma realidade tão desafiadora.

No final de 2018, um Acidente Vascular Cerebral (AVC) transformou a vida dos dois. “O Léo teve um AVC hemorrágico de grande extensão com 26 anos. A gente namorou e casou em um ano. Quatro meses depois teve um AVC, por causa de uma malformação arteriovenosa. Nasceu com ela”, conta Luísa.

Nada, no entanto, indicava a possibilidade de haver algo errado com Leonardo. “Nunca foi uma pessoa de se queixar de dor de cabeça, super saudável, ativo. Nunca teve nenhuma queixa. Ele estava bem e foi muito rápido.”

Sequelas do AVC

Desde então, tudo mudou. Como sequela do AVC, Léo não anda, fala e está limitado a alguns poucos e trabalhosos movimentos. Se comunica com o piscar dos olhos e alguns movimentos com a cabeça. Juntos se mudaram para a cidade natal de Luíza, Ilha Solteira, na fronteira com o estado de Mato Grosso do Sul, para uma rotina intensa de tratamentos e terapias.

“Faz fisioterapia todos os dias, mas duas vezes por semana vai para Andradina para fisioterapia especializada em pessoas com necessidades específicas neurológicas. Fono todo dia, terapia ocupacional, psicóloga.”

Tratamento com CBD

Há três meses, porém, a rotina dos dois vem apresentando uma melhora consistente. Graças à dica do barbeiro de Léo, amigo do casal. “Ele perguntou porque a gente não tentava o tratamento com canabidiol. Pode ser muito bom.”

Luísa aceitou a sugestão e, pouco tempo depois, já começava a notar a diferença. “Estamos entrando no quarto mês de tratamento e, muito rápido, o Léo melhorou muito”, comemora. “Ele responde tudo mais rápido. Ficou mais maleável, aceita as coisas. Está mais calmo, dorme bem. Criou uma rotina melhor. A expressão facial melhorou. Tudo depois do canabidiol.”

Sentindo-se melhor, Leonardo passou a aceitar melhor os diversos tratamentos que precisa. “Fica menos agitado. Quando fica ansioso por alguma coisa, é mais pontual”, diz Luísa. “O comportamento dele melhorou muito. Mês passado, a gente fez um protocolo de tratamento bem intensivo. Antes ele não queria fazer, depois ele aceitou, fez tudo. Até as posturas que ele não gosta, topou fazer.”

A perspectiva é que este seja só o início do progresso. “Hoje a gente está com a  dose estabelecida. A Cannabis demora um tempo para encaixar uma dosagem. Foi crescendo gradativamente. Então a gente acha que vai melhorar cada vez mais.”

Alto custo

Para Luísa, o custo é a principal desvantagem da Cannabis medicinal, já que Léo toma dois óleos com composições diferentes. Ambos importados. “O preço assusta, porque paga de uma vez. Mas não é tão caro, pois um frasco dura quase quatro meses. O caro é o frete. 60 dólares, independente da quantidade de frascos.”

Com gasto mensal de cerca de R$ 500 por mês, não vê possibilidade de abandonar o tratamento. Com os benefícios, se tornou uma prioridade. No entanto, o custo impede que a própria Luísa dê início ao tratamento com Cannabis medicinal.

“Eu não comecei a tomar porque não consigo custear o tratamento para os dois. Eu tenho uma doença de pele há muitos anos. Doença de darier”, conta. “Minha pele está bem em crise. Meu caso é indicado o uso oral e tópico, mas ainda não consegui encaixar no orçamento para nós dois. Ai enrolo e vou deixando pra lá. minha prioridade é o tratamento dele. Não é uma opção para a gente parar.”

Luísa, porém, não tem dúvida. Para quem pode custear, sua recomendação é que invista e aposte na Cannabis medicinal. “Eu costumo dizer que a Cannabis veio como facilitadora. Mesmo com um tabu muito grande. Meus pais, no começo ficavam meio questionando se compensa gastar tanto dinheiro com um remédio do maconha”, lembra Luísa.

“Hoje eles entendem, veem os benefícios. É uma coisa bem nítida. A gente não pretende parar. Quem tem condição de ir atrás, para qualquer motivo que seja, eu falo que é um tratamento que muda vidas. Muda a vida e a perspectiva das pessoas como um todo.”

Felipe Floresti

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