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“Não tem como parar esse tsunami”, diz médica sobre a Cannabis

A Dra. Amelia Carvalho se encantou com as possibilidades da Cannabis medicinal logo no início da carreira, mas enfrenta dificuldades para atender seus pacientes.

A relação da médica Amelia Carvalho, 29, com a Cannabis medicinal foi amor à primeira vista. O flerte começou logo após a conclusão da pós-graduação em endocrinologia. Entusiasta dos estudos, assistia a apresentação de um renomado médico de sua área, que comentou as possibilidades que os fitocanabinoides abriam para o tratamento de diversas patologias.

Aquilo ficou em sua cabeça e, como não poderia deixar de ser, voltou-se aos estudos. “Foi um primeiro acesso de conhecimento e prescrição”, conta. “Estudei e assim que comecei a prescrever, observei bons resultados nos pacientes. Desde o início me apaixonei pelo mecanismo fisiopatológico do sistema endocanabinoide.”

“Durante a pandemia, consegui estudar mais profundamente o tema. Foi um período de muito crescimento. Consegui ter acesso a mais informações, fiz cursos e tive acesso a artigos científicos de qualidade. ”

Cannabis x outros tratamentos

Não é somente mérito da Cannabis medicinal toda essa paixão, mas também demérito das demais opções de tratamento disponíveis para doenças que aborda em seu consultório.

Um exemplo é a obesidade, tratada com medicações que inibem o apetite. “Essas medicações podem aumentar a ansiedade, e não serem efetivas na verdadeira causa da doença, que é comportamental. Além disso, eles têm muitos efeitos colaterais como a perda de libido, e podem causar rebote e dependência.”

Para ela, nada disso fazia sentido. Em sua prática, busca a prática de uma medicina integral, em parceria com nutricionistas, educador físico e psicólogo. “Minha consulta é em uma modalidade mais completa. Consulta longa, de uma hora e meia, em que busco conversar bastante para entender o paciente. A Cannabis entrou nas prescrições quando vi que, além de extremamente eficaz, era muito seguro de usar. Comparado com as outras opções, infinitamente melhor.”

Médica prescritora

Aos poucos, a paixão foi se estendendo para mais e mais pacientes. Pessoas com diversas condições, fora da endocrinologia, passaram a buscar consulta com a médica devido às dificuldades de encontrarem médicos prescritores em cada especialidade.

“Acabei começando a atender várias patologias de Cannabis. Alzheimer, autismo, doenças inflamatórias crônicas, doenças autoimune, artrite reumatoide, e demências. Chega bastante doenças mais graves” afirma. “A Cannabis é muito boa em comparação com as opções terapêuticas.

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Um caso de amor sustentado por observações em seus próprios pacientes. “Vários casos me marcaram. Fui vendo resultados já nas minhas primeiras prescrições. São muitos casos interessantes.

“Na fibromialgia, por exemplo, a medicina não tem um tratamento específico para essa condição. Muitas vezes as pessoas vão de médico em médico, sem sucesso com os tratamentos convencionais. Já observei melhoras incríveis em casos que eram considerados refratários. ”

Cannabis no tratamento do câncer

Seu foco preferido de estudo agora é o câncer. “A gente tem que entender de tudo. Não vou atender tudo, sair tratando câncer, mas é interessante o conhecimento”, revela. “Agora é o tema que mais me emociono de estudar. Eu vi potencial anti-oncogênico incrível da Cannabis. Não só para o efeito colateral da quimioterapia, e sim para tratar mesmo.”

“Um dos cânceres mais conhecidos é o glioblastoma. A cannabis já é muito consolidada e meu pai faleceu disso há dois anos atrás. É uma experiência pessoal muito íntima, então estudar o câncer está se tornando minha nova paixão.”

Implicância com a Cannabis medicinal

No entanto, nem tudo em sua trajetória com a Cannabis é tão fácil. Atendendo na cidade de Curitiba, Paraná, nem sempre seu trabalho é visto com bons olhos. “O CRM (Conselho regional de medicina do Paraná) está implicando com todos os médicos que prescrevem Cannabis”, relata. “Dizem que não existe, que não tem evidência ainda, então não é um tratamento reconhecido e ninguém pode falar sobre isso. ”

No entanto, a médica está tranquila. Confia que o tempo e a própria ciências vai cuidar de dar uma resposta à altura. “Sou muito otimista. Há um ano eu era otimista e as pessoas duvidavam. Hoje, as pessoas estão ficando otimistas comigo. A medicina e a ciência vão fazer com que as coisas aconteçam, independente de política”

“Tudo vem acontecendo muito rápido, por isso, minha forma de encarar o ocorrido com o CRM é esperar um pouquinho. Esperar eles terem o tempo deles ” , finaliza Carvalho.

“ As coisas vão caminhar rápido. Por todos os motivos, desde econômico, sociais, médicos, científicos. Não vai ter como parar esse tsunami.”

Felipe Floresti

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